A economia portuguesa abranda este ano e 2027 quase não a levanta, avisa o Fórum para a Competitividade
O Fórum para a Competitividade prevê um crescimento de 1,7% a 1,9% em 2026 e de 1,8% a 2% em 2027, e aponta o dedo às fragilidades estruturais da economia portuguesa.
A economia portuguesa vai crescer este ano menos do que cresceu no ano passado, e o ano seguinte também não traz nenhuma reviravolta. É esse o retrato do Fórum para a Competitividade, e o incómodo não está no número deste ano, está no do próximo.
Quanto vai crescer a economia portuguesa em 2026?
Entre 1,7% e 1,9%, depois de 1,9% em 2025. Uma travagem modesta, portanto. O problema é 2027: a previsão aponta para 1,8% a 2%, ou seja, praticamente o mesmo. Ou seja, isto não é um solavanco de um ano com regresso ao normal a seguir — é a nova velocidade de cruzeiro.
O Fórum não esconde o que acha disso. Chama “inquietante” o facto de, depois do arrefecimento, não se esperar nenhuma retoma digna desse nome no ano a seguir.
O que trava o crescimento de Portugal?
Não é o ciclo, são as fundações. A leitura do Fórum é que isto vem de fragilidades estruturais e, em particular, de um potencial de crescimento fraco que, em vez de melhorar com o tempo, tende a degradar-se. Traduzido para linguagem de todos os dias: mesmo quando tudo corre bem lá fora, a economia portuguesa não tem musculatura para crescer muito mais do que isto.
Na inflação, a fotografia é a de um pico contido. O Fórum aponta para uma aceleração de 2,3% em 2025 para algo entre 2,3% e 2,7% este ano, com recuo para 2,1% a 2,4% em 2027. Nada dramático, mas o suficiente para continuar a comer aumentos salariais.
Vale notar que nem tudo aponta na mesma direção. O investimento estrangeiro bateu recorde em Portugal e o turismo caminha para outro verão cheio. A questão que o Fórum levanta é se essas boas notícias chegam para mexer no potencial de longo prazo ou se ficam por cima, sem alterar a estrutura por baixo. As séries oficiais do PIB e da inflação estão no INE.
Por Beatriz Mota
Imagem: Jules Verne Times Two / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)