A Semapa lucrou 570 milhões, mas 516 milhões vieram de vender a Secil
O resultado da Semapa no primeiro semestre multiplicou-se por seis, para 570,1 milhões de euros. Tirando a mais-valia da venda da Secil, sobram 53,9 milhões — menos do que há um ano.
Há resultados que precisam de ser lidos duas vezes, e este é um deles.
Quanto lucrou a Semapa no primeiro semestre?
570,1 milhões de euros de resultado líquido atribuível aos acionistas, contra 89,5 milhões no mesmo período do ano passado. É mais de seis vezes, o género de salto que normalmente faz uma ação disparar e um comunicado ficar em maiúsculas.
Só que 516,2 milhões desse valor são uma mais-valia contabilística, ainda provisória, gerada pela venda da Secil à espanhola Cementos Molins. Ou seja: a holding da família Queiroz Pereira vendeu o seu negócio de cimento e registou o ganho de uma só vez, como manda a contabilidade.
E se tirarmos a venda da Secil das contas?
Sobram 53,9 milhões de euros. Isso é menos do que os 89,5 milhões do primeiro semestre de 2025, o que muda completamente a leitura: a operação corrente da Semapa não melhorou, encolheu. As vendas também recuaram, cerca de 8,7% face ao ano anterior.
A explicação está sobretudo no papel e na pasta. A Navigator, que é hoje o coração do grupo, vive num mercado em que os preços da pasta e do papel andaram em baixo e onde a procura europeia não ajudou. Quando o preço do produto cai e os custos não caem ao mesmo ritmo, a margem come-se sozinha.
Então o semestre foi bom ou mau?
Foi as duas coisas, dependendo do que se está a olhar. Para o balanço, foi excelente: entrou meio milhar de milhões de euros e a Semapa ficou com um grupo mais simples, concentrado na fileira da floresta em vez de andar dividida entre cimento e papel. Para quem quer perceber se o negócio está a gerar dinheiro por si próprio, foi um semestre fraco.
É um contraste interessante com o resto do índice. A EDP fechou o semestre com 732 milhões puxados pelas renováveis e pelas redes, sem precisar de vender nada para lá chegar, e a economia portuguesa cresceu no segundo trimestre num ritmo que não explica a queda das vendas da Semapa — o que confirma que este é um problema de setor, não de país. O comunicado detalhado está disponível no site institucional da Semapa.
Por Beatriz Mota
Infografia: Tugadaily · dados Semapa