A TAP recebe hoje as propostas finais e só a Air France-KLM e a Lufthansa estão na corrida
Termina a 29 de julho o prazo para as propostas vinculativas pela privatização de 49,9% da TAP. Ficam dois candidatos, a Parpública analisa em agosto e a decisão do Governo chega no início de setembro.
Hoje é o dia em que a privatização da TAP deixa de ser conversa e passa a ser papel assinado. Termina esta quarta-feira o prazo para a entrega das propostas vinculativas pelos 49,9% do capital que o Estado decidiu vender, e só sobraram dois nomes em cima da mesa: a Air France-KLM e a Lufthansa.
Vinculativa quer dizer exatamente o que parece. Já não são intenções nem cenários — é um preço e um compromisso a que o candidato fica preso.
Quando é que se sabe quem compra a TAP?
Não é hoje. Entregues as propostas, a Parpública tem agosto para as analisar, e a expectativa do Governo é decidir no final de agosto ou no início de setembro. Depois disso ainda há o caminho habitual destas operações, com autorizações de concorrência e formalidades que não se resolvem numa semana.
Os dois candidatos foram convidados em abril, com 90 dias para responder a contar da carta da Parpública — daí a data de hoje, que já se conhecia desde meados de julho. Pelo meio houve uma ronda final de reuniões em Lisboa com os presidentes executivos dos dois grupos, aquilo a que se costuma chamar o último check-in antes de fechar a mala.
Quanto vale a proposta industrial de cada um?
Segundo o Governo, muito pouco as separa. O executivo tem repetido que as propostas industriais dos dois grupos são equivalentes — rotas, hub, compromissos com Lisboa e com a marca — e que, por isso, o preço será essencial na escolha final. É uma frase que diz mais do que parece: quando dois projetos empatam no papel, o desempate faz-se em euros.
Para Portugal, a diferença prática entre um comprador e outro está sobretudo em que rede a TAP passa a alimentar. A Air France-KLM puxa para Paris e Amesterdão, a Lufthansa para Frankfurt e Munique. O que fica por escrito sobre o hub de Lisboa e as ligações ao Brasil e a África vale mais do que qualquer comunicado.
E porque é que o Estado vende só metade?
Porque o Governo aprovou a alienação de 49,9%, mantendo o Estado com a posição maioritária e com o objetivo declarado de recuperar parte do investimento público injetado na companhia durante a reestruturação. Os termos da operação estão no comunicado oficial do Governo sobre a fase final da privatização.
É o dossiê económico mais pesado do verão português e chega numa altura em que as contas das grandes empresas nacionais têm dado boas notícias — a Galp fechou o primeiro semestre com 812 milhões de lucro e ainda aumentou o dividendo. A TAP, essa, joga outro campeonato: o de convencer alguém a pagar bem por metade dela.
Por Beatriz Mota
Imagem: Adam Moreira (AEMoreira042281) / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)