A área ardida em 2026 já passou os 30 mil hectares e é a terceira pior desde 2016
O balanço do ICNF até 15 de julho aponta 30.690 hectares ardidos e 4.975 fogos rurais. Viseu leva a pior fatia, o Porto tem mais ocorrências e a área ardida cresce 67% face à média de dez anos.
Trinta mil seiscentos e noventa hectares. É esse o número que o ICNF fecha para os primeiros seis meses e meio do ano, e chega para colocar 2026 como o terceiro pior ano de área ardida desde 2016 — o ano seguinte ao dos grandes incêndios que mudaram a forma como o país fala de fogo.
Quanto ardeu em Portugal em 2026?
Entre 1 de janeiro e 15 de julho arderam 30.690 hectares em 4.975 fogos rurais. O número de ocorrências é o quinto mais alto desde 2016; a área ardida é o terceiro. Comparando com a média dos dez anos anteriores para o mesmo período, os fogos subiram 9% e a área ardida disparou 67% — ou seja, não estamos a ter muitos mais incêndios, estamos a ter incêndios que crescem muito mais.
Isso vê-se melhor nos grandes fogos. Até 15 de julho houve 36 incêndios com 100 hectares ou mais, e só esses 36 levaram 21.047 hectares — perto de sete em cada dez hectares ardidos no país. O resto da conta é o somatório de milhares de ocorrências pequenas.
Que distritos foram os mais afetados?
Depende do que se conta. Em número de fogos, o pódio é do Porto, com 702 ocorrências, seguido de Braga com 489 e de Vila Real com 438 — o padrão do costume no Noroeste, muito povoado e com muita queima de sobrantes. Em área ardida, o retrato é outro: Viseu leva 8.016 hectares, cerca de 26% de tudo o que ardeu no país, muito por conta do fogo que atravessou a serra na primeira metade de julho.
Por tipo de terreno, a floresta ficou com a maior fatia, 16.810 hectares, seguida do mato com 12.092 e dos terrenos agrícolas com 1.788.
E o balanço fecha a 15 de julho, o que convém sublinhar: agosto ainda nem começou, e as duas semanas seguintes já trouxeram mais um incêndio grande entre Valpaços e Mirandela. Os balanços provisórios vão sendo publicados no portal do ICNF, e é o sítio certo para acompanhar o número real em vez do número que circula nas redes.
Por Marta Carneiro
Infografia: Tugadaily · dados ICNF