Portugal mandou dois aviões ajudar a França a apagar os incêndios — e foi o próprio Macron a agradecer
Portugal enviou dois aviões Air Tractor para ajudar a França a combater incêndios no sudoeste, através do mecanismo de proteção civil da UE. Macron confirmou o reforço.
Há poucas semanas era Portugal a pedir ajuda para os seus fogos. Agora é ao contrário: o país enviou dois aviões para o sudoeste da França, onde os incêndios estão a devorar hectares e a obrigar a evacuar milhares de pessoas. E não foi um agradecimento qualquer — foi o Presidente Emmanuel Macron, em pessoa, a nomear Portugal na lista dos reforços que aí vêm.
Que meios é que Portugal enviou?
Dois aviões Air Tractor, os pequenos aparelhos amarelos que largam água sobre as chamas e são um dos cavalos de batalha do combate aéreo a incêndios. Fazem parte de um pacote europeu que junta ainda dois Canadair anfíbios da Croácia e dois helicópteros de transporte pesado Black Hawk, cedidos pela Chéquia e pela Eslováquia. Tudo canalizado através do mesmo Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia que Portugal já acionou para si próprio quando os fogos apertaram em Vouzela no início do verão.
Porque é que a França pediu ajuda?
Porque o sul da Europa está a arder ao mesmo tempo. No sudoeste francês, um incêndio já consumiu cerca de 3.400 hectares e levou à retirada de milhares de turistas de uma zona balnear — alguns tiveram mesmo de sair de barco. Nos últimos dias morreram três bombeiros na região, dois em França e um em Itália, um lembrete duro de que a época dos grandes fogos não perdoa fronteiras.
A lógica do mecanismo europeu é precisamente esta: nenhum país tem meios para tudo, por isso partilham-se aviões, helicópteros e equipas conforme o fogo salta de um lado para o outro. Hoje Portugal empresta; amanhã, se for preciso, pede emprestado. É solidariedade com asas — e, neste verão, tem andado a voar muito.
Por Marta Carneiro
Imagem: LeaMarie / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)