As urgências entram no verão sem as escalas todas fechadas — e o SNS já avisa
O SNS entra no verão de 2026 com o plano de contingência ativo mas sem as escalas das urgências todas garantidas; a ministra admitiu falta de recursos humanos e há novos incentivos ao trabalho suplementar dos médicos.
Verão em Portugal é sinónimo de praia, festivais e estradas cheias — e, todos os anos, de urgências hospitalares sob pressão. Este ano não é exceção, e o próprio Serviço Nacional de Saúde já pôs as cartas na mesa: as escalas não estão todas fechadas.
Vai haver constrangimentos nas urgências este verão?
A ministra da Saúde admitiu não ter “a escala completa para os próximos três meses”, apontando o dedo à falta de recursos humanos. Traduzindo: em algumas unidades, sobretudo à noite e nas especialidades mais carenciadas, podem faltar médicos para manter tudo a funcionar em pleno. Nada de novo no verão do SNS, mas raramente dito de forma tão direta.
O que é o plano de contingência?
É o mecanismo que prepara os hospitais para os picos sazonais — calor, afluência, férias do pessoal. Os planos já foram todos ativados e estão neste momento no nível um, o mais baixo da escala, que sobe conforme a pressão aumenta. Faz parte do Plano Nacional de Preparação e Resposta Sazonal em Saúde, em vigor de maio de 2026 até abril de 2027.
O que muda para os médicos?
O Governo aprovou um novo regime de incentivos ao trabalho suplementar, dirigido aos médicos que asseguram escalas de urgência para lá dos limites anuais previstos na lei. Os valores sobem de forma progressiva, organizados em blocos de 48 horas, para tornar as escalas mais previsíveis e atrativas. A dúvida é se chega para tapar os buracos de um verão que já começou quente — e não só no termómetro. A informação oficial vai sendo publicada no portal do SNS.
Por Marta Carneiro
Imagem: 69joehawkins / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)