Há 182,5 milhões para PME inovarem e as candidaturas fecham a 30 de setembro
O aviso de Inovação Produtiva do Portugal 2030 tem 182,5 milhões de euros, apoia até 60% a fundo perdido e aceita candidaturas até 30 de setembro de 2026. Quem se pode candidatar e como.
Candidatar / Saber maisHá 182,5 milhões de euros em cima da mesa para pequenas e médias empresas investirem em produção inovadora, e as candidaturas fecham às 17 horas de 30 de setembro de 2026. O apoio é a fundo perdido e pode chegar aos 60% do investimento elegível — ou seja, mais de metade da conta pode não voltar a sair da empresa.
O que é o aviso de Inovação Produtiva?
É um concurso do Portugal 2030, com o código MPR-2026-6, publicado a 15 de junho, dentro do sistema de incentivos à competitividade das empresas. Cobre territórios de baixa densidade e outros territórios, e destina-se a operações de natureza inovadora que resultem em bens e serviços transacionáveis e internacionalizáveis, com valor acrescentado e forte incorporação nacional.
Traduzindo do dialeto dos fundos: o dinheiro é para quem produz coisas que se vendem lá fora e que ainda não se faziam assim cá dentro. Não é para pagar contas correntes nem para substituir uma máquina por outra igual.
Quem se pode candidatar?
Pequenas e médias empresas, com um investimento elegível a partir de 300 mil euros. É esse patamar mínimo que define o tipo de projeto de que se está a falar: uma linha de produção nova, uma unidade fabril, um salto de capacidade que a empresa não conseguiria financiar sozinha. Abaixo desse valor, o caminho são outras linhas — e vale a pena ver os restantes apoios do Portugal 2030 abertos a empresas antes de decidir onde bater à porta.
Quem gere as candidaturas depende do setor: o IAPMEI trata de tudo menos turismo, e o Turismo de Portugal trata do turismo. A submissão é feita no Balcão dos Fundos, o portal único onde se entregam candidaturas a fundos europeus em Portugal.
Quanto dá o apoio e até quando?
Até 60% do investimento elegível, a fundo perdido — a taxa concreta depende da dimensão da empresa, da localização do projeto e do tipo de despesa. Os territórios de baixa densidade estão do lado bom da tabela, o que na prática significa que a mesma fábrica recebe mais apoio se for construída no interior do que na faixa litoral.
O prazo é 30 de setembro de 2026, às 17 horas. Parece longe, não é. Uma candidatura destas leva memória descritiva, projeto de investimento, orçamentos de fornecedores, contas certificadas, licenciamentos e um plano de negócio que aguente perguntas — três semanas não chegam. Quem começar em setembro entrega à pressa e nota-se.
Vale a pena tentar?
Se o projeto já existia na cabeça de alguém, sim. Estes concursos são competitivos e pontuados, não é primeiro a chegar primeiro a ser servido, e projetos montados à pressa só para apanhar o aviso costumam ficar pelo caminho. Mas 60% a fundo perdido é o tipo de condição que muda a matemática de um investimento — e não há muitas alturas do ano em que esteja disponível.
O texto integral do aviso, com os critérios de elegibilidade e a grelha de pontuação, está publicado no IAPMEI e no portal do Portugal 2030. Leia o aviso antes de contratar quem quer que seja para o escrever por si: metade das dúvidas resolve-se nas primeiras dez páginas.
Perguntas rápidas
Qual é o prazo para me candidatar?
Até às 17 horas de 30 de setembro de 2026, através do Balcão dos Fundos.
Qual é o investimento mínimo?
300 mil euros de investimento elegível. Abaixo disso, o projeto não entra neste aviso.
O apoio é para devolver?
Não. É a fundo perdido, até 60% do investimento elegível, sujeito ao cumprimento das metas contratualizadas — se a empresa não cumprir o que prometeu, há devolução.
A minha empresa é de turismo. Candidato-me na mesma?
Sim, mas o organismo que analisa é o Turismo de Portugal e não o IAPMEI.
Por Miguel Sarmento
Imagem ilustrativa · Foto: Cemrecan Yurtman / Pexels