A Linha do Corgo pode voltar aos carris — o Parlamento quer o comboio outra vez entre a Régua e Chaves
O Parlamento aprovou recomendações de Chega, Livre, BE e PCP para a reabertura integral da Linha do Corgo, que ligava a Régua a Vila Real e Chaves. Não têm força de lei — mas ninguém votou contra.
A Linha do Corgo voltou esta sexta-feira ao mapa político: o Parlamento aprovou um conjunto de resoluções que recomendam ao Governo a reabertura integral da ferrovia que ligava a Régua a Vila Real e Chaves, encerrada há mais de quinze anos. As iniciativas vieram de bancadas que raramente votam juntas — Chega, Livre, Bloco de Esquerda e PCP — e passaram com votações distintas, mas com um detalhe que diz muito: nenhum partido votou contra.
Trás-os-Montes é hoje uma das maiores manchas do país sem comboio. Quem vive em Vila Real ou Chaves e quer apanhar um comboio tem de descer até à Régua, no Douro — e é precisamente esse vazio que as resoluções querem ver corrigido, devolvendo à região uma ligação que durante um século subiu o vale do Corgo.
O que aprovou o Parlamento sobre a Linha do Corgo?
Recomendações, não obrigações: as resoluções não têm força de lei, funcionam como um recado político ao Governo para estudar e financiar a reabertura. Ainda assim, o sinal é invulgar — quatro partidos de quadrantes opostos a puxar pelo mesmo dossiê, sem um único voto contra, num Parlamento onde o Governo vive à mercê da oposição. O texto das iniciativas pode ser consultado no portal do Parlamento.
O timing também não é inocente: o país discute coesão territorial e o investimento ferroviário concentra-se na alta velocidade Lisboa-Porto. Uma linha regional de via estreita não enche manchetes — mas para o interior norte, voltar a ter comboio seria das mudanças mais concretas que a política podia entregar.
Se o Governo pegar na recomendação, o caminho ainda é longo: estudos, orçamento, obra. Mas depois de anos em que o Corgo só aparecia em aniversários do encerramento, ver o Parlamento inteiro a apontar na mesma direção já é, por si, notícia.
Imagem: Nuno Morão from Portugal / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)