A Microsoft vai financiar os data centers da Mistral na Europa — e o acordo vale milhares de milhões
A Microsoft e a Mistral alargaram a parceria com um acordo de milhares de milhões para expandir a computação de IA na Europa, com milhares de GPUs Nvidia Vera Rubin.
A Europa deu esta semana mais um passo para deixar de depender inteiramente da nuvem americana — e, ironicamente, com dinheiro americano a pagar a conta. A Microsoft e a francesa Mistral anunciaram a 21 de julho um alargamento da parceria, sustentado por um acordo de milhares de milhões de euros para expandir a infraestrutura de inteligência artificial em solo europeu.
A engrenagem é esta: a Mistral vai montar mais capacidade de cálculo na Europa, apoiada em milhares das novíssimas GPUs Nvidia Vera Rubin, e a Microsoft usa essa capacidade europeia para reforçar os seus serviços de nuvem e IA. Em troca, os modelos da Mistral — como o Medium 3.5 e o OCR 4 — passam a estar disponíveis no Microsoft Foundry e no Copilot Studio. É a lógica da “IA soberana” a ganhar músculo, um tema de que já falámos quando a Europa começou a puxar por alternativas próprias.
O que ganha a Europa com este acordo?
Ganha computação instalada dentro de casa — servidores em território europeu, sujeitos às regras europeias — o que interessa sobretudo a bancos, seguradoras e setores regulados que não podem mandar dados para qualquer lado. Para empresas e governos do continente, é a promessa de usar IA de fronteira com mais controlo sobre onde os dados vivem. Os detalhes estão no comunicado oficial da Microsoft.
A Microsoft comprou parte da Mistral?
Não. Ao contrário do que costuma acontecer nestes negócios, o acordo não inclui qualquer nova entrada da Microsoft no capital da Mistral — é uma parceria de infraestrutura e produto, não uma compra de ações. A Mistral continua a ser a joia da coroa da IA europeia, e agora com muito mais poder de fogo para competir com os gigantes de São Francisco.
Por Oliver Grant
Imagem: Jiaqian AirplaneFan / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)