Há 300 sistemas não tripulados a treinar entre Tróia e Sesimbra até 25 de setembro
A 16.ª edição do REPMUS junta 36 marinhas, 1500 pessoas, 14 navios e mais de 60 empresas de investigação numa área de 1370 quilómetros quadrados ao largo de Setúbal.
Começou na segunda-feira, em Tróia e Sesimbra, a 16.ª edição do REPMUS, e a escala continua a ser difícil de arrumar na cabeça. São mais de 300 sistemas marítimos não tripulados, apoiados por 14 navios, com 1500 pessoas vindas de 36 marinhas. O exercício corre até 25 de setembro.
A Marinha Portuguesa organiza-o desde 2010 e chama-lhe, sem grande margem para modéstia, o maior exercício de experimentação robótica e de veículos não tripulados do mundo. A designação é literal: Robotic Experimentation and Prototyping with Maritime Unmanned Systems.
Onde é, e quão grande é
O centro de operações é o Centro de Experimentação Operacional da Marinha, em Tróia. A partir daí, os ensaios espalham-se por áreas de exercício portuguesas e pela Zona Livre Tecnológica Infante D. Henrique, cobrindo mais de 400 milhas náuticas quadradas — o equivalente a 1370 quilómetros quadrados de mar e costa.
O que se testa não é só o que anda à superfície. A Marinha detalha no seu comunicado que os sistemas em prova operam à superfície, em subsuperfície, no ar e em terra, e que a organização é partilhada com a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, o Centre for Maritime Research and Experimentation, o grupo da NATO dedicado a sistemas marítimos não tripulados e a Agência Europeia de Defesa.
Porque é que isto interessa à indústria portuguesa
Estão envolvidas mais de 60 empresas de investigação e desenvolvimento, 13 universidades e cinco entidades da NATO. Para uma empresa que faz drones ou embarcações autónomas, quatro semanas a mostrar equipamento a 36 marinhas ao mesmo tempo é um canal comercial que não existe em mais lado nenhum na Europa — e é por isso que o tecido nacional de defesa aparece em força, do lado das startups e das empresas já estabelecidas.
É o mesmo movimento que se vê noutras frentes: a Tekever a colocar drones de vigilância no exército britânico e a linha de montagem do Super Tucano em Beja declarada de interesse público. Portugal não constrói fragatas, mas tem vindo a construir uma posição no software, na autonomia e nos sensores.
Em paralelo com o REPMUS decorre o Dynamic Messenger, o exercício da NATO que pega nestas experiências e as tenta transformar em conceitos operacionais. É a diferença entre um protótipo que funciona numa praia de Tróia e um sistema que uma marinha aceita levar para o mar.
Por Oliver Grant
Imagem: Jhon Parsons / U.S. Navy (domínio público)