A Sword Health vai comprar a Headspace (que em 2021 valia 3 mil milhões de dólares)
O registo entregue ao regulador de Massachusetts marca 14 de setembro para a operação e não traz preço nenhum. Os relatos apontam algo entre 200 e 300 milhões de dólares.
Há uma empresa nascida no Porto prestes a comprar uma das aplicações de meditação mais conhecidas do mundo. A Sword Health vai ficar com a Headspace, e a operação apareceu onde estas coisas costumam aparecer primeiro: num papel entregue a um regulador.
A notificação de alteração material foi entregue à Health Policy Commission do Massachusetts em julho e só depois foi notada. Diz que a OrangeDot, dona da Headspace, se funde com uma entidade criada para o efeito e passa a subsidiária integral da Sword Health, com 14 de setembro apontado como data efetiva. Preço, não diz.
Quanto vai a Sword Health pagar pela Headspace?
Os relatos publicados colocam a operação algures entre 200 e 300 milhões de dólares. É preciso dizer com clareza que isso não está no registo, e portanto não está confirmado por ninguém que tenha assinado alguma coisa.
Mesmo assim, a ordem de grandeza conta uma história. Em outubro de 2021, quando a Headspace se fundiu com a Ginger, a empresa combinada foi avaliada em cerca de 3 mil milhões de dólares. Cinco anos depois, o valor de que se fala é uma fração disso. Do outro lado, a Sword levantou 40 milhões em 2025 numa ronda que a avaliou acima dos 4 mil milhões.
Porque é que a Sword quer isto
A Sword começou na reabilitação musculoesquelética — fisioterapia à distância, com sensores — e foi somando áreas: saúde da mulher, saúde cardiometabólica e, mais recentemente, saúde mental. A Headspace traz terapia, coaching, as aplicações de bem-estar e os programas de apoio ao trabalhador que as empresas americanas contratam em pacote. Comprada, deixa de ser concorrência numa área onde a Sword estava a entrar de raiz.
É também um lembrete de escala. Enquanto por cá se celebram rondas de dois dígitos, como os 15,6 milhões da Neuraspace em Coimbra, uma empresa com raízes portuguesas está a comprar americanos por centenas de milhões. As duas coisas são o mesmo ecossistema em fases diferentes.
O que ainda pode mudar
Uma data efetiva num registo regulatório é uma intenção, não um facto consumado: as notificações de alteração material existem precisamente para dar ao regulador tempo de olhar. Até setembro há espaço para revisões, condições ou nada disso.
Vale a pena guardar o caso para o balanço do ano. O mercado português de fusões e aquisições encolheu 28% até julho, e este negócio nem sequer conta para essa estatística — é uma compra feita lá fora, por uma empresa que começou cá.
Por Oliver Grant
Gráfico: Tugadaily, com dados dos anúncios das empresas e dos relatos publicados