A Zoox já pode cobrar por viagens num carro sem volante, e é a primeira vez que os EUA autorizam isso
O regulador americano deu à Zoox, da Amazon, a primeira isenção comercial para um veículo autónomo construído de raiz sem volante nem pedais. As viagens pagas começam em Las Vegas.
Toda a gente que já viu um robotáxi na rua viu a mesma coisa: um carro normal, com um volante a girar sozinho como num filme de terror. A Zoox nunca quis isso. Construiu uma cápsula sem volante, sem pedais e sem lugar de condutor — e passou anos à espera de que a lei americana lhe desse permissão para a pôr a trabalhar a sério.
O que é que o regulador americano autorizou?
A 30 de julho, a NHTSA concedeu à Zoox, que pertence à Amazon, uma isenção comercial que lhe permite cobrar dinheiro por viagens. É a primeira vez na história dos Estados Unidos que isso acontece com um veículo autónomo desenhado de raiz sem controlos humanos.
A isenção cobre oito normas federais de segurança automóvel — coisas como o sistema de desembaciamento do para-brisas e os requisitos de travagem —, todas elas escritas numa altura em que se assumia que haveria sempre uma pessoa ao volante. Não é que a Zoox seja menos segura; é que a régua estava calibrada para outro tipo de veículo.
Quantos carros e onde?
Até 2.500 veículos por ano, ao longo de dois anos, e sob um enquadramento de supervisão que o regulador diz que vai evoluindo à medida que a tecnologia evolui. As primeiras viagens pagas estão previstas para Las Vegas, ainda em agosto.
Las Vegas não é escolha ao acaso: tem grelha regular, clima seco quase todo o ano e um fluxo enorme de gente que se desloca em trajetos curtos entre hotéis e casinos. Se há sítio nos Estados Unidos onde um carro sem volante tem a vida facilitada, é ali.
E porque é que isto importa cá?
Porque marca a diferença entre pilotar e vender. Até agora, a corrida americana era feita sobretudo de carros convencionais adaptados — a Tesla chegou a pôr robotáxis em Miami sem supervisor a bordo, mas continuam a ser automóveis com volante. A Zoox está a testar outra coisa: se o regulador aceita um veículo que nunca foi pensado para um humano conduzir, o desenho dos carros urbanos deixa de estar preso ao tabliê.
Na Europa o caminho é mais lento e passa por homologação por tipo, não por isenções caso a caso, por isso não se espera ver cápsulas destas em Lisboa tão cedo. Mas o precedente conta, e os termos da autorização estão publicados pela NHTSA.
Por Oliver Grant
Imagem: 9yz / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)