Estas são as duas empresas que querem pôr a CP a andar a 300 quilómetros por hora
A francesa Alstom e a espanhola Talgo foram as únicas a passar a fase de pré-qualificação do concurso da CP para 12 comboios de alta velocidade. Têm agora 90 dias para apresentar propostas e a decisão fica para o final do ano.
Ficaram duas na corrida. A francesa Alstom e a espanhola Talgo foram as únicas empresas a apresentar-se à fase de pré-qualificação do concurso lançado pela CP em maio para comprar 12 comboios de alta velocidade, e a entrega das candidaturas fechou a 1 de agosto.
O calendário a partir daqui é conhecido. As duas têm 90 dias para transformar a candidatura numa proposta concreta, com preço e prazos, e a decisão deverá cair no final deste ano. O concurso tem um valor base acima dos 500 milhões de euros e pode chegar aos 850 milhões se a CP exercer a opção por mais oito composições. Quem ganhar entrega também peças sobressalentes e assegura a manutenção nos primeiros dois anos de serviço.
O detalhe técnico que decide o concurso
O caderno de encargos pede comboios com pelo menos 500 lugares e velocidade máxima de 300 quilómetros por hora. Até aqui, nada que uma fábrica europeia não saiba fazer.
A parte difícil está nos rodados. Têm de sair de fábrica em bitola ibérica, a medida larga que Portugal e Espanha usam desde o século XIX, mas com a possibilidade de virem a ser trocados por bitola europeia mais tarde. É esse duplo requisito, e não a velocidade, que aperta os concorrentes: obriga a desenhar um comboio para a rede que existe hoje e para a rede que a Península promete ter daqui a duas décadas.
A Alstom não é uma estranha em Portugal. A empresa já tinha escolhido Matosinhos para instalar uma unidade de manutenção ferroviária, e lidera o consórcio que está a fornecer à CP as novas automotoras urbanas. A Talgo, por seu lado, tem em Espanha a experiência de bitola variável que este concurso praticamente pede em voz alta. O enquadramento oficial da linha de alta velocidade portuguesa, incluindo o troço Porto–Lisboa que estes comboios vão servir, está no portal da Alta Velocidade da Infraestruturas de Portugal.
Por Beatriz Mota
Imagem: José Ignacio Esnarriaga San José / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)