O salário mínimo devia saltar já para 1.050 euros? A CGTP acha que sim
A CGTP voltou a exigir o salário mínimo nacional nos 1.050 euros já, enquanto o acordo em vigor só prevê 970 euros em 2027 e os patrões dizem que não há margem.
A CGTP não quer esperar por 2027. A central sindical voltou esta semana a exigir que o salário mínimo nacional suba já para 1.050 euros — bem acima dos 970 euros que estão prometidos para o próximo ano — e o pedido reacendeu uma discussão que promete arrastar-se pelo verão.
O número que está em cima da mesa hoje é este: o acordo de rendimentos assinado em 2024 entre o Governo, a UGT e as confederações patronais prevê que o mínimo suba 50 euros em 2027, dos atuais 920 para 970. A CGTP nunca subscreveu esse acordo e considera-o curto face ao custo de vida.
Porque é que a CGTP pede 1.050 já?
Para a central liderada pela Intersindical, a conta não fecha nas casas das famílias. Além da subida imediata do mínimo para 1.050 euros, exige que todos os salários que ainda não foram atualizados em 2026 subam pelo menos 15%, num valor nunca inferior a 150 euros. O argumento é simples: os preços já subiram, os ordenados não acompanharam, e discutir apenas a revisão de 2027 deixa quem trabalha a perder poder de compra no presente.
E o Governo e os patrões, o que dizem?
Do lado do Executivo, a ministra do Trabalho tem repetido que há “um acordo para cumprir” e que o Governo “não fecha nem abre a porta” a ir além do combinado. Os patrões são mais diretos: o presidente da Confederação Empresarial de Portugal diz que não há condições para uma subida acima dos 50 euros já acordados, apontando para margens apertadas e para a incerteza económica.
No meio fica a pergunta que interessa a quem recebe o mínimo: quanto é que isto vai valer no fim do mês? Para já, o valor de 2026 continua nos 920 euros e a trajetória oficial aponta para os 970 em 2027 — o resto é pressão negocial. Se quiser perceber como se chegou ao valor atual e o que muda nos descontos, veja o nosso guia do salário mínimo em Portugal; os termos do acordo tripartido estão publicados no portal do Governo.
A concertação social volta a reunir-se no outono para fixar o valor de 2027. Até lá, é bom não confundir exigência sindical com decisão tomada — uma coisa é o que a CGTP pede, outra é o que vai constar do recibo.
Por Beatriz Mota
Imagem: User:Mattes / Wikimedia Commons (domínio público)