A PJ apanhou 61 quilos de cocaína no aeroporto de Lisboa e os suspeitos vieram de avião do Porto
Operação Escala Improvável: a Polícia Judiciária apreendeu 61 quilos de cocaína no aeroporto de Lisboa e deteve dois homens que voaram do Porto para chegar aos tapetes de bagagem.
Comprar um bilhete Porto-Lisboa para não sair da zona restrita do aeroporto é um plano com nome à altura: a Polícia Judiciária chamou-lhe Operação Escala Improvável. E deu no que se esperava — 61 quilos de cocaína apreendidos no Aeroporto Humberto Delgado e dois homens, de 35 e 54 anos, a aguardar o resto da investigação em prisão preventiva.
Como é que a droga entrou no aeroporto de Lisboa?
A cocaína chegou dentro de duas malas, num voo vindo da República Dominicana. A ideia dos suspeitos, segundo a investigação, era simples de descrever e complicada de executar: viajar de avião entre o Porto e Lisboa para passarem o controlo de segurança como passageiros normais e, já lá dentro, chegarem aos tapetes rolantes de bagagem e levantarem as malas antes de elas seguirem para a recolha.
Quanta cocaína era, afinal?
Sessenta e um quilos, com um grau de pureza tão alto que a PJ calcula que daria, depois de cortada, para pelo menos 610 mil doses individuais. É uma apreensão grande até para os padrões de Lisboa, e reforça o que os números dos últimos anos já vinham a dizer: a rota que liga as Caraíbas e a América do Sul à Europa continua a passar muito por aqui.
Não é caso isolado. Em junho, uma megaoperação da GNR no Norte fechou 26 detenções num inquérito de tráfico com ramificações entre Aveiro e o Porto. O que muda neste caso é o palco: em vez da rua, o lado de dentro de um aeroporto internacional, onde qualquer falha vale muito dinheiro a quem a souber explorar.
Os dois detidos foram presentes a tribunal, que lhes aplicou a medida de coação mais pesada. O comunicado oficial da operação está no site da Polícia Judiciária, e a investigação continua — com uma pergunta óbvia por responder: quem, do lado de dentro, é que lhes ia abrir a porta.
Por Marta Carneiro
Imagem: DgOlsen / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)