Os Houthis declararam bloqueio naval à Arábia Saudita — e o petróleo do mundo ficou logo em alerta
Os Houthis do Iémen anunciaram um bloqueio naval à Arábia Saudita, abrindo uma nova frente na guerra entre os EUA e o Irão e ameaçando as rotas de petróleo do Mar Vermelho.
Os Houthis do Iémen anunciaram a 20 de julho um bloqueio naval à Arábia Saudita, e é a espécie de frase que faz um analista de energia largar o café. O grupo, alinhado com o Irão, diz que passa a impor um “embargo marítimo” à navegação saudita com efeito imediato — e garante ter mísseis anti-navio, fornecidos por Teerão, prontos para disparar sobre quem furar o bloqueio.
Não é um episódio isolado. Os Houthis já tinham quebrado uma trégua de quatro anos com Riade semanas antes, e este passo transforma uma escalada regional numa ameaça direta ao comércio global.
O que é o bloqueio naval dos Houthis?
Na prática, é a promessa de atacar navios ligados à Arábia Saudita que passem pelas águas que os Houthis conseguem alcançar — sobretudo à volta de Bab-el-Mandeb, o estreito que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. O grupo apresenta-o como resposta ao que chama um “cerco injusto” imposto ao Iémen, na lógica do “olho por olho”. Abre também uma nova frente contra os Estados Unidos, que há dias bombardeiam alvos iranianos para manter o estreito de Ormuz aberto.
Porque é que isto mexe com o preço do petróleo?
Porque Bab-el-Mandeb é um dos maiores estrangulamentos de petróleo do planeta: por ali passa uma fatia enorme do crude e do gás natural que segue por mar. Se os armadores começarem a desviar navios para longe do Mar Vermelho — como já aconteceu noutras crises — os custos de transporte disparam e o barril sobe. Os dados oficiais sobre a importância destes corredores estão na análise de pontos críticos da agência de energia norte-americana.
O que muda para Portugal?
Portugal não tem navios nesta rota, mas paga a fatura na bomba. Uma subida sustentada do petróleo empurra os preços dos combustíveis e volta a pressionar a inflação num verão em que o poder de compra já anda esticado. Por agora, é uma ameaça anunciada mais do que um bloqueio a sério — mas com mísseis à mistura, é das que se vigiam ao minuto.
Por Marta Carneiro
Imagem: Richard Weil / Wikimedia Commons (CC0)