O Irão disparou mísseis contra forças americanas, os EUA intercetaram-nos e o petróleo saltou 4%
Os EUA dizem ter intercetado mísseis balísticos lançados pelo Irão contra as suas forças no Médio Oriente, um dia depois de Washington anunciar uma pausa nos ataques. O Brent subiu mais de 4%.
Durou pouco mais de 24 horas. Um dia depois de Donald Trump ter anunciado que os Estados Unidos travavam os bombardeamentos ao Irão, os militares americanos dizem ter intercetado mísseis balísticos lançados por Teerão contra forças norte-americanas no Médio Oriente — uma tentativa de ataque-surpresa, na descrição de Washington.
O que aconteceu entre o Irão e os EUA?
Segundo o relato americano, os mísseis foram detetados e abatidos antes de atingirem alvos, sem baixas reportadas do lado das forças dos EUA. A escolha do momento é o que torna o episódio significativo: veio praticamente a seguir ao primeiro sinal de desanuviamento em quase duas semanas de troca de fogo, o que sugere que a pausa anunciada não era, nem de perto, um acordo entre as duas partes.
Do lado iraniano, o governo tem vindo a contabilizar prejuízos. Teerão afirma ter perdido parte da capacidade nacional de produção de gás durante o conflito, diz que o aeroporto de Bushehr ficou inoperacional e reporta a morte de 350 funcionários do Estado. São números avançados pelo próprio governo iraniano e não foram verificados de forma independente, o que aconselha alguma reserva.
Porque é que o petróleo subiu outra vez?
Porque o mercado tinha acabado de descontar o cenário oposto. O Brent chegou a perder cerca de 16% em três sessões — a maior queda desse tipo desde 2020 — a apostar que a pausa nos ataques significava o princípio do fim. Com os mísseis, a aposta inverteu-se: o barril subiu mais de 4%, aproximando-se dos 88 dólares, e quebrou a série de descidas.
Para Portugal, esta oscilação é a diferença entre um alívio nos combustíveis daqui a duas semanas e mais um verão a pagar caro para encher o depósito. O padrão já se tinha desenhado antes, quando o Irão recusou a proposta americana apresentada em Islamabad e o estreito de Ormuz se manteve fechado.
O que muda para quem vai viajar?
Pouco, para já, se o destino não for a região — mas quem tenha viagem marcada para o Golfo ou países vizinhos faz bem em confirmar o estado do espaço aéreo antes de sair de casa e em registar-se junto do consulado. Os avisos aos viajantes atualizados estão no portal das comunidades portuguesas, que é onde a informação oficial aparece primeiro.
Por Marta Carneiro
Imagem: Lance Cpl. Alyssa Chuluda / Wikimedia Commons (domínio público)