Irão e EUA na 13.ª noite de ataques — e o petróleo já passou os 100 dólares
A escalada entre os Estados Unidos e o Irão entrou na 13.ª noite consecutiva de ataques, com o Irão a responder contra bases no Golfo e o barril de petróleo a ultrapassar os 100 dólares.
A guerra que se arrasta há semanas no Golfo Pérsico não dá tréguas. Os Estados Unidos entraram na 13.ª noite consecutiva de ataques contra o Irão, com explosões relatadas em várias cidades iranianas, enquanto Teerão respondeu com drones e mísseis contra bases norte-americanas em países vizinhos. E, como acontece sempre que aquela região arde, o efeito chegou depressa às bombas de combustível de meio mundo.
O que está a acontecer?
Washington intensificou os bombardeamentos e o Presidente dos EUA voltou a ameaçar com “um ataque massivo”, numa linguagem que sugere que a escalada ainda não atingiu o pico. Do outro lado, o Irão diz ter atingido instalações militares americanas em Estados do Golfo que acolhem essas bases. Vários desses países condenaram os ataques no seu território, receando ser arrastados para um conflito que não é seu.
Porque é que isto mexe com o preço da gasolina?
Aqui está o fio que liga o Médio Oriente à carteira de quem vive em Portugal. Cerca de um quinto do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz, a estreita passagem de água entre o Irão e a Península Arábica. Bastou a ameaça de o Irão fechar essa rota, somada aos ataques, para o barril de Brent ultrapassar os 100 dólares — um patamar que não se via há muito e que os mercados detestam.
Petróleo mais caro traduz-se, com algumas semanas de atraso, em combustível mais caro e em pressão sobre a inflação — precisamente aquilo que o Banco Central Europeu tem tentado domar. Quem quiser acompanhar como os mercados e o preço do crude estão a reagir pode seguir o nosso acompanhamento diário dos mercados.
Para já, não há sinais de desanuviamento. Enquanto os ataques continuarem e o Estreito de Ormuz estiver debaixo de ameaça, o mundo — e o depósito do carro — vai continuar a olhar de perto para o Golfo.
Por Marta Carneiro
Imagem: Goran_tek-en / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)