Um voo da TAP para Bissau perdeu um motor e teve de voltar a Lisboa
O avião seguia para Bissau quando um dos motores perdeu pressão de óleo e foi desligado. A tripulação declarou PAN PAN e aterrou em segurança em Lisboa, sem feridos.
Descolou de Lisboa com destino a Bissau e, pouco depois, já estava a fazer meia-volta. Um Airbus A320neo da TAP perdeu a pressão de óleo num dos motores esta quinta-feira, a tripulação desligou-o ainda em subida e o avião regressou ao aeroporto de origem, onde aterrou em segurança às 14h30. Ninguém ficou ferido.
O que significa afinal um PAN PAN?
É o segundo nível de alerta da aviação, logo abaixo do Mayday. Quando os pilotos dizem PAN PAN ao controlo de tráfego aéreo estão a avisar que têm um problema sério a bordo, mas que não há perigo iminente para quem lá vai dentro. Na prática, é a forma de pedir prioridade na aproximação e garantir que os meios de socorro estão a postos, sem accionar a emergência máxima.
Um A320 voa perfeitamente com um motor só, e durante horas. O que muda é tudo o resto: cada motor alimenta sistemas eléctricos, hidráulicos e de pressurização, por isso a tripulação passa a gerir metade dos recursos com a mesma carga de trabalho. É exactamente o cenário que se treina em simulador de seis em seis meses, e foi por isso que a aterragem correu como devia.
Porque é que o aeroporto parou uns minutos?
Pela suspeita de óleo derramado na pista. Perder pressão de óleo raramente é limpo, e a torre preferiu suspender movimentos até uma inspecção confirmar que a superfície estava em condições. Foram poucos minutos, mas em Lisboa, à hora de ponta de um dia de verão, poucos minutos chegam para desalinhar meia dúzia de chegadas.
Para os passageiros, o problema deixou de ser técnico e passou a ser de calendário: o voo seguinte da companhia para Bissau só levanta no sábado de manhã. É mais um percalço numa altura em que a transportadora está no centro das atenções por ter recebido as propostas finais de compra da Air France-KLM e da Lufthansa.
Vale a pena a nota chata mas verdadeira: incidentes destes não são raros nem são acidentes. A investigação técnica destes casos em Portugal cabe ao GPIAAF, que decide caso a caso se abre inquérito. Um motor desligado em voo é notícia porque assusta; a leitura correcta é que o procedimento funcionou do princípio ao fim.
Por Marta Carneiro
Imagem: S5A-0043 / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)