Os três fogos de agosto no Norte queimaram 5.200 hectares. Um bombeiro de Arouca continua em estado crítico
Somámos as áreas ardidas de Torre de Moncorvo, Arouca e Santo Tirso a partir dos balanços das autarquias e da Proteção Civil. Em Arouca não ardeu uma única casa, mas quatro bombeiros caíram numa ravina de 150 metros a caminho do incêndio e um deles vai ser operado em Gaia.
Há uma semana escrevemos sobre três incêndios que mobilizavam quase mil operacionais ao mesmo tempo em Torre de Moncorvo, Arouca e Santo Tirso. Os fogos apagaram-se, as televisões saíram, e ficou por fazer a conta simples: quanto é que aquilo tudo queimou.
Fizemo-la, somando os balanços que cada autarquia e a Proteção Civil foram dando à medida que os fogos ficaram dominados. Dá cerca de 5.200 hectares.
O maior de longe foi o de Cabeça Boa, em Torre de Moncorvo, que ardeu vários dias a partir do fim de semana de 15 e 16 de agosto. O município estimou mais de dois mil hectares dentro do concelho, sobretudo nas zonas da Lousa e de Cabeça Boa, e mais de três mil no total depois de o fogo ter passado para Carrazeda de Ansiães. Não foi só mato: cerca de 400 hectares eram terreno agrícola e sobreiral, o que ali significa rendimento de gente que vive disso.
Em Arouca arderam mais de 1.300 hectares de floresta e mato, quase todos no concelho mas também já no de São Pedro do Sul, do outro lado da fronteira do distrito. E em Rebordões, Santo Tirso, foram 900 hectares num fogo que chegou a ter quatro frentes e só ficou dominado ao fim de cerca de cinquenta horas, com o combate travado numa encosta muito íngreme, com calor e vento de leste.
O que ficou de pé em Arouca
Vale a pena reter o que não aconteceu em Arouca. Pelo apuramento inicial da câmara, não arderam casas, palheiros ou outros edifícios, nem se registaram animais mortos. Num fogo com quatro frentes ativas, mais de 650 operacionais em simultâneo, 200 viaturas e nove meios aéreos, isso é uma linha de balanço que não costuma aparecer.
O preço foi pago noutro sítio. Na madrugada de quarta-feira, uma viatura com quatro bombeiros voluntários de Arouca a caminho do teatro de operações despistou-se e caiu numa ravina de 150 metros. Tinham entre 31 e 54 anos.
Um deles já teve alta e recupera em casa. Outros dois continuam internados no Hospital São Sebastião, em Santa Maria da Feira, e a unidade diz que ambos evoluem de forma gradual e globalmente positiva. O quarto, o de 54 anos, mantém prognóstico reservado nos Cuidados Intensivos e vai ser transferido para o Hospital Eduardo Santos Silva, em Gaia, para uma cirurgia cardiotorácica que o São Sebastião não tem diferenciação para fazer. Regressa à Feira depois de estabilizar.
Onde é que isto encaixa no ano
Cinco mil e duzentos hectares em três fogos é muito para cinco dias e é pouco para o que 2026 podia ter sido. Segundo o ICNF, até 19 de agosto tinham deflagrado 6.666 incêndios rurais e ardido 63.347 hectares no continente. Como já aqui contámos, este ano tem mais fogos e muito menos área ardida do que 2025 — o que também quer dizer que basta uma semana má para a diferença encolher.
Os dados definitivos, com a área cartografada por satélite e a causa apurada de cada ocorrência, só chegam nos relatórios provisórios do portal do SGIFR e do ICNF. Voltamos a estes três fogos quando as causas forem conhecidas.
Por Marta Carneiro
Infografia: Tugadaily · dados das autarquias e da Proteção Civil