O Trump recebe Zelensky e Netanyahu no mesmo dia, e as duas guerras chegam à Casa Branca ao mesmo tempo
Donald Trump tem esta terça-feira reuniões separadas com o presidente ucraniano e com o primeiro-ministro israelita. Na mesa estão o processo de paz na Ucrânia e a guerra com o Irão, em fases decisivas.
Volodymyr Zelensky de manhã, Benjamin Netanyahu logo a seguir. Donald Trump marcou as duas reuniões para o mesmo dia e, sem querer ou querendo muito, transformou esta terça-feira numa espécie de balanço das duas guerras que dominam a política externa americana.
O que está em cima da mesa com Zelensky?
O processo de paz entre a Rússia e a Ucrânia. Um responsável da Casa Branca resumiu a posição americana numa frase curta — chegou a altura de acabar com a guerra — e o tom da relação mudou bastante desde os encontros tensos do ano passado. A Ucrânia tem conseguido travar o avanço russo, o que dá a Kiev algo que não tinha na primavera: margem para negociar sem parecer que está a ceder. Depois da Casa Branca, Zelensky segue para o Capitólio, onde tem encontro marcado com os cem senadores — um formato que raramente é decorativo.
Vale a pena lembrar que Kiev chegou a este ponto com um governo remodelado: Koretskyi assumiu como primeiro-ministro num momento em que a pressão interna sobre a liderança era tão real como a pressão militar.
E a reunião com Netanyahu?
Essa é sobre o Irão. Trump e Netanyahu vão falar da guerra, das negociações com o Líbano e do alargamento dos Acordos de Abraão. O próprio Trump admitiu publicamente que não estão totalmente de acordo sobre o Irão, embora tenha acrescentado que as posições continuam próximas — a diplomacia americana traduzida à letra costuma querer dizer que a diferença existe e incomoda.
O calendário ajuda a perceber a urgência. Esta semana, o Irão recusou a proposta americana apresentada em Islamabade e o Estreito de Ormuz continua fechado, com tudo o que isso significa para os preços da energia na Europa. Uma reunião na Sala Oval não desbloqueia um estreito, mas define quem se senta à mesa a seguir.
Para Portugal, o efeito prático é indireto e muito concreto ao mesmo tempo: energia, inflação e a fatura da defesa. A posição oficial europeia sobre ambos os conflitos está no portal do Conselho Europeu, que atualiza sanções e conclusões à medida que os líderes se reúnem.
Dois encontros, um dia, duas guerras. Não é agenda, é inventário.
Imagem: The White House / Wikimedia Commons (domínio público)