O Qatar já pôs a proposta no papel. Trump diz que o Estreito de Ormuz pode reabrir esta semana
Rubio fala em progresso mas não em acordo fechado. O ponto travado continua a ser quem controla a passagem e se o Irão pode cobrar por ela.
Há um rascunho em cima da mesa. O Qatar confirmou que existe uma proposta escrita para um acordo interino centrado no Estreito de Ormuz, e Donald Trump disse que a reabertura pode acontecer nos próximos dias — com a ameaça habitual pendurada no fim da frase, caso não aconteça.
Marco Rubio foi mais contido. Falou em progresso, e sublinhou que progresso não é o mesmo que finalidade. É a diferença entre um texto que existe e um texto que alguém assina.
O que está no rascunho
Três coisas, essencialmente. Repor o cessar-fogo de 17 de junho entre Washington e Teerão. Resolver a disputa sobre a navegação no estreito. E abrir espaço para uma negociação mais larga sobre o programa nuclear iraniano, que é o assunto de fundo desde o início.
O nó está no meio. O Irão quer controlo sobre a passagem e quer poder cobrar taxas de trânsito, poderes que não exercia antes da guerra começar, a 28 de fevereiro. Washington rejeita as duas coisas em bloco. O Qatar tem feito a ponte por via indireta, e o emir recebeu um telefonema de Trump precisamente para procurar onde é que as duas posições ainda se tocam.
Porque é que isto se sente em Portugal
Em tempo de paz, cerca de um quinto do petróleo do mundo passa por ali. Com o estreito fechado, o barril passou os 100 dólares e o efeito chegou às bombas portuguesas com o atraso de duas ou três semanas que costuma ter.
Nada disto é novo para quem tem seguido o dossiê. O Irão já tinha recusado a proposta americana em Islamabade há pouco mais de uma semana, e a razão pela qual este estreito mexe com o preço da gasolina não mudou entretanto.
Entretanto a guerra continua. Os Houthis reivindicaram um ataque a um petroleiro saudita esta semana, o que é o tipo de acontecimento capaz de desfazer um rascunho antes de ele chegar a acordo. As próximas 48 horas dizem qual das duas coisas ganha.
Imagem: NASA / MODIS (domínio público)