O Irão recusou a proposta americana em Islamabade, e o Estreito de Ormuz continua fechado
Terceira noite seguida sem ataques entre os EUA e o Irão, mas Teerão diz que rejeitou a proposta apresentada nas negociações e mantém Ormuz encerrado.
Três noites seguidas sem bombas não são a mesma coisa que paz, e o Irão fez questão de o deixar claro. Teerão anunciou que recusou a proposta que os Estados Unidos levaram à mesa em Islamabade e que não tenciona, para já, voltar a sentar-se com Washington.
A pausa é real. Depois de treze dias de ataques quase ininterruptos, o fim de semana passou sem ofensivas americanas, e um responsável iraniano garantiu que o país fica quieto enquanto os EUA ficarem quietos. Só que a trégua não tem calendário, não tem papel assinado e não tem sequer um canal de conversa aberto.
Porque é que o Estreito de Ormuz continua fechado?
Porque o Irão não mexeu uma vírgula na decisão que tomou no início do conflito. O estreito por onde passa uma fatia enorme do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo mantém-se encerrado, e o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano repetiu que o país não deixa que sejam os americanos a marcar “o momento da paz e da guerra”. Enquanto Ormuz estiver assim, o preço do barril continua a mandar recados às bombas de gasolina europeias — foi essa escalada que já tinha empurrado o petróleo para lá dos 100 dólares na semana passada.
Quanto tempo dura a trégua entre os EUA e o Irão?
Ninguém sabe, e é essa a parte incómoda. O embaixador americano nas Nações Unidas disse que Trump está a dar espaço e tempo à diplomacia, mas acrescentou na mesma frase que há mais meios militares a caminho da região. Traduzido: a pausa vale enquanto valer.
Para quem vê isto de Portugal, a leitura prática é simples. O que se decide em Ormuz aparece no combustível, na energia e depois na fatura do supermercado, com algumas semanas de atraso. As regras internacionais de navegação nesta zona estão descritas pela Organização Marítima Internacional, e é precisamente esse manual que está a ser ignorado desde o início do bloqueio.
Por agora, o mundo respira. Só não convém habituar-se.
Por Marta Carneiro
Imagem: OpenStreetMap / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)