A Apple retirou o Telegram da App Store em todo o mundo e repô-lo poucas horas depois
A revisão da Apple encontrou material de abuso sexual de menores na aplicação. O Telegram apagou o conteúdo, baniu o utilizador e a app voltou às lojas.
Durante algumas horas desta terça-feira o Telegram simplesmente desapareceu da App Store. Não foi um bloqueio regional nem um problema de servidores: a aplicação deixou de estar disponível para descarregar em todo o mundo, sem aviso e sem explicação imediata da Apple.
A explicação chegou depois, e é grave. A equipa de revisão da Apple encontrou na aplicação conteúdo de abuso sexual de menores, uma violação direta das regras da loja. A empresa confirmou que retirou o Telegram enquanto o caso era resolvido e que o repôs assim que o programador apagou o material e baniu a conta responsável pela publicação.
Quem foi afetado, e quem não foi
Só as novas instalações. Quem já tinha o Telegram no iPhone continuou a usá-lo normalmente durante todo o período — o que ficou suspenso foi a descarga e, presumivelmente, as atualizações. Para os utilizadores existentes o episódio passou praticamente despercebido.
A Apple mantém uma tolerância zero declarada para este tipo de conteúdo nas regras de revisão da App Store, e a remoção temporária é o instrumento habitual: em vez de negociar, tira a aplicação da montra e devolve-a quando o problema estiver corrigido. Não é a primeira vez que o Telegram tropeça exatamente aqui — em 2018 esteve dias fora da loja pelo mesmo motivo.
O ponto de fundo é a moderação
O Telegram cresceu a defender canais grandes, encriptação e pouca intervenção — um posicionamento que atrai utilizadores e, inevitavelmente, também atrai quem quer publicar o que mais nenhuma plataforma aceita. A pressão regulatória sobre a empresa não é nova, e o fundador, Pavel Durov, tem em curso processos judiciais que colocam a moderação da plataforma no centro.
Para a Apple, o episódio reforça uma tese que ela própria usa quando defende o controlo da loja: é assim que a App Store atua quando encontra um problema. Foi essa mesma lógica que esteve em jogo quando São Francisco exigiu que a Apple e a Google removessem aplicações de ‘nudify’ — a diferença é que, desta vez, a remoção partiu da própria Apple e demorou horas, não meses.
Por Oliver Grant
Imagem: Yuri Samoilov / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)