Portugal subiu para A+ na Fitch e ficou ao nível de França e da Bélgica
A Fitch subiu a notação da República de A para A+, com perspetiva estável. É a quarta melhoria em dois anos, e a agência aponta agora para uma dívida de 87% do PIB no final de 2026 e um excedente orçamental de 0,1%.
A Fitch subiu a notação da dívida da República portuguesa de A para A+, com perspetiva estável. É a quarta melhoria do rating em dois anos e a segunda desta agência desde abril de 2024, e coloca Portugal ao nível de França e da Bélgica na escala da agência.
A justificação vem em três partes: a redução da dívida pública, contas públicas mais robustas e as perspetivas de crescimento. A Fitch aponta para um rácio de dívida de 87% do PIB no final deste ano e para um excedente orçamental de 0,1%. Para o PIB, projeta um crescimento de 2,1% em 2026, acima da média da Zona Euro, puxado sobretudo pelo investimento.
O que é que uma letra a mais muda
Nada, na sua prestação da casa esta semana. O rating é a leitura que uma agência faz da probabilidade de um Estado pagar o que deve, e o efeito prático sente-se do lado de quem empresta: quanto melhor a notação, menor tende a ser o juro exigido nas emissões de dívida. Esse juro entra depois no orçamento, na fatia que todos os anos é gasta a pagar juros em vez de escolas ou hospitais.
O ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, chamou-lhe “uma grande vitória de Portugal”, sublinhando que a subida acontece “num contexto geopolítico e económico ainda marcado por incerteza e instabilidade”.
O número que ainda não bate certo
A projeção da Fitch de 87% para o final de 2026 pede contexto. Em junho, o rácio da dívida pública ia em 92,9% do PIB, depois de um mês em que a dívida cresceu mais de cinco mil milhões de euros. Os rácios trimestrais oscilam com a tesouraria do Estado, e o valor que conta para a comparação europeia é o do fecho do ano. Ainda assim, para chegar aos 87% em dezembro é preciso que o segundo semestre corra bem.
Há outra peça que muda o cenário a partir de agora. O PRR fechou a 31 de agosto, e com ele acaba a maior injeção de fundos europeus que a economia portuguesa alguma vez teve. O crescimento de 2,1% que a Fitch projeta para 2026 terá de vir de outro sítio.
Por Beatriz Mota
Imagem: Governo de Portugal / portugal.gov.pt (banco de imagens)