EN
Bebé a agarrar o dedo de um dos pais
Imigração 16 de julho de 2026

O seu filho nasceu em Portugal — é português? As regras para menores depois da lei de 2026

Desde 19 de maio de 2026, um bebé nascido em Portugal de pais estrangeiros só é português à nascença se um dos pais residir legalmente no país há pelo menos cinco anos. Para os menores já nascidos, a naturalização exige cinco anos de residência do progenitor e frequência escolar.

A resposta curta: nascer em Portugal não chega. Desde 19 de maio de 2026, um bebé filho de pais estrangeiros só é português à nascença se, nesse momento, um dos pais residir legalmente no país há pelo menos cinco anos — o triplo do que a lei anterior pedia nalguns casos, e uma das mudanças com mais impacto da nova lei da nacionalidade.

A regra vale para os nascimentos a partir da entrada em vigor da lei. Quem nasceu antes fica abrangido pelo regime que existia à data — as alterações não são retroativas.

E os menores que já nasceram cá e não são portugueses?

Existe um caminho próprio: a naturalização de menores. Os requisitos são cumulativos — um dos progenitores tem de residir legalmente em Portugal há pelo menos cinco anos, e a criança tem de estar inscrita e a frequentar a escolaridade obrigatória, quando a idade o exigir. A partir dos 16 anos, somam-se os requisitos gerais dos adultos, como a ausência de condenações relevantes e a adesão aos princípios do Estado de direito. O texto integral está na Lei Orgânica n.º 1/2026, no Diário da República.

Que documentos convém preparar?

Para a atribuição à nascença, a prova da residência legal do progenitor (título de residência e histórico); para a naturalização de menores, além disso, o assento de nascimento português da criança e o comprovativo de matrícula e frequência escolar. Como os prazos de residência contam a partir de títulos válidos, vale a pena confirmar que as renovações na AIMA estão em dia — seguimos os prazos e o backlog no nosso acompanhamento dedicado.

Perguntas frequentes

O meu filho nasceu em março de 2026, antes da lei nova — qual regime se aplica?

O que vigorava à data do nascimento. As novas exigências aplicam-se aos nascimentos e pedidos posteriores à entrada em vigor, a 19 de maio de 2026.

Os cinco anos do progenitor contam com títulos diferentes?

Conta a residência legal contínua documentada — mudanças de tipo de título não interrompem por si só a contagem, mas períodos sem título válido sim. Em casos com intervalos, vale a pena aconselhamento jurídico.

A escola é mesmo obrigatória para o pedido?

Sim, quando a criança está em idade de escolaridade obrigatória: a inscrição e a frequência regular são requisito expresso da lei para a naturalização de menores.

Por Juliana Castilho

Imagem ilustrativa · Foto: Dương Nhân / Pexels

Vista aérea da marina de Lagos, no Algarve, com barcos atracados e a cidade em redor
Imigração 4 de setembro de 2026

O Algarve é o segundo melhor sítio do mundo para viver a reforma (e já não é pelo preço)

O índice anual da Live and Invest Overseas coloca o Algarve atrás apenas de Boquete, no Panamá, e à frente de Creta, Puerto Vallarta e Tarragona. Aponta um custo de cerca de 3.085 dólares por mês para um casal.

Há uma lista americana que sai todos os anos e que, sem grande alarido, move gente de um continente para outro. É o Overseas Retirement Index, da Live and Invest Overseas, e na edição de 2026 o Algarve ficou em segundo lugar entre os melhores sítios do mundo para viver a reforma. À frente ficou apenas Boquete, uma vila nas terras altas do Panamá. O que o Algarve deixou para trás diz mais do que o lugar em si. A região ficou à frente de Puerto Vallarta, no…

Continuar a ler
Fachada rosa do Palácio de Belém, em Lisboa, vista dos jardins fronteiros, com a bandeira nacional hasteada à esquerda
Imigração 3 de setembro de 2026

Seguro promulgou a lei do retorno a 31 de agosto, três dias depois do acórdão do Constitucional

O Presidente da República assinou o diploma que altera os regimes de acolhimento, de entrada e afastamento de estrangeiros e de concessão de asilo. Fê-lo depois de o Tribunal Constitucional não ter chumbado nenhuma norma e ter fixado critérios interpretativos para tribunais e autoridades administrativas.

A lei está assinada. António José Seguro promulgou a 31 de agosto o diploma que altera os regimes de acolhimento de estrangeiros ou apátridas em centros de instalação temporária, de entrada, permanência, saída e afastamento de estrangeiros do território nacional, e de concessão de asilo. Foram três dias entre o acórdão do Tribunal Constitucional e a caneta.

Continuar a ler
O Palácio Ratton, em Lisboa, sede do Tribunal Constitucional, visto de baixo, com a bandeira nacional hasteada e um cravo vermelho desfocado em primeiro plano
Imigração 30 de agosto de 2026

Lei do retorno passou no Constitucional sem uma única norma chumbada

Os sete juízes que assinaram o acórdão foram unânimes: nenhuma das onze normas é inconstitucional. O Presidente tinha levantado as dúvidas a 7 de agosto, e caíram todas.

O Tribunal Constitucional decidiu na sexta-feira que a chamada lei do retorno não tem nada de inconstitucional. Nem uma norma, das onze que lhe foram postas à frente. Os sete juízes que assinaram o acórdão 736/2026 foram unânimes. É uma conclusão rápida de dizer e lenta de ler: o acórdão passa das 160 páginas, segundo o presidente do tribunal, João Carlos Loureiro. António José Seguro enviou o diploma para fiscalização preventiva a 7 de agosto, três…

Continuar a ler
Gráfico de barras com o primeiro ano de fiscalização da UNEF: 52 421 estrangeiros fiscalizados, 1 117 irregulares, 831 notificados e 285 detidos
Imigração 27 de agosto de 2026

A UNEF fiscalizou 52 421 estrangeiros no primeiro ano e encontrou 1 117 irregulares

A PSP fechou as contas à nova unidade de estrangeiros e fronteiras. Foram 5 397 ações entre 21 de agosto de 2025 e 31 de julho de 2026, 831 notificações para sair do país e 285 detenções — e uma taxa de irregularidade de 2,1%.

A PSP fez as contas ao primeiro ano da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras. O número que salta à vista não é o das detenções — é a proporção. Entre 21 de agosto de 2025 e 31 de julho de 2026, os Núcleos de Estrangeiros e Controlo Fronteiriço realizaram 5 397 ações de fiscalização, nas quais foram fiscalizados 52 421 cidadãos estrangeiros. Destes, 1 117 estavam em situação irregular. São 2,1%. Das mesmas ações resultaram 831 notificações para…

Continuar a ler
Edifício da Loja do Cidadão de Santiago do Cacém, com a sinalética à entrada
Imigração 26 de agosto de 2026

Não está no contrato de arrendamento? A AIMA aceita, mas exige-lhe duas coisas no dia do atendimento

Quem arrenda um quarto ou vive em casa emprestada raramente aparece no contrato, e a AIMA tem um caminho para esses casos. Passa por uma declaração sob compromisso de honra com o número da descrição predial e o NIF do proprietário, e por uma certidão de domicílio fiscal emitida há menos de 30 dias.

Há um detalhe que apanha muita gente de surpresa no atendimento da AIMA, e não é a fila. É a prova de alojamento. Quem comprou casa resolve o assunto num minuto. Quem arrenda um quarto numa casa partilhada, vive em casa de um familiar ou tem um contrato feito em nome de outra pessoa, esse tem um problema real: o documento que a AIMA quer ver tem o nome de outra pessoa em cima. A boa notícia é que existe um caminho previsto para exatamente essa situação. A…

Continuar a ler
Balcões de atendimento de um Espaço do Cidadão em Portugal, com funcionários a atender e pessoas sentadas à espera da sua vez
Imigração 25 de agosto de 2026

Vai pedir reagrupamento familiar para um filho menor? Ele tem de estar em Portugal no dia do pedido

Há um critério na plataforma de Reagrupamento Familiar de Menores da AIMA que apanha muita gente de surpresa: a criança tem de estar comprovadamente em território nacional na data em que o requerimento é apresentado. Se ainda estiver no estrangeiro, o portal não aceita e o pedido faz-se presencialmente.

Se está em Portugal e quer trazer um filho menor por reagrupamento familiar, há uma condição pouco conhecida que dá cabo do planeamento a muita gente: a criança tem de estar comprovadamente em território nacional na data em que o requerimento é apresentado na plataforma de Reagrupamento Familiar de Menores. Está escrito na nota informativa da própria AIMA sobre reagrupamento familiar e repetido na lista de plataformas de agendamento do Ministério dos…

Continuar a ler
Fila de utentes junto aos balcões dos registos no Campus de Justiça de Lisboa, com um funcionário a atender ao balcão 14
Imigração 24 de agosto de 2026

O prazo para regulamentar a lei da nacionalidade expirou a 16 de agosto. Continua tudo como estava em 2006

A Lei Orgânica 1/2026 deu ao Governo 90 dias para atualizar o Regulamento da Nacionalidade Portuguesa. Fomos ao registo de legislação consolidada do Diário da República a 24 de agosto: a última alteração continua a ser de julho de 2025.

O Governo deu a si próprio 90 dias para escrever o manual de instruções da nova lei da nacionalidade. Esse prazo terminou a 16 de agosto. Oito dias depois, o manual continua a ser o de 2006. Fomos confirmar da forma mais simples que existe. Abrimos o registo de legislação consolidada do Decreto-Lei n.º 237-A/2006, que é o diploma que aprova o Regulamento da Nacionalidade Portuguesa, e lemos a lista completa dos diplomas que o alteraram desde 2006. São…

Continuar a ler
Vista aérea da vila de Carregal do Sal, no distrito de Viseu, com casas de telhado vermelho e campos em redor
Imigração 23 de agosto de 2026

Vive em Almada e a AIMA marcou-lhe atendimento em Carregal do Sal

A descentralização das marcações aliviou as filas de Lisboa e do Porto, mas as vagas são atribuídas por disponibilidade e não por morada. Há quem tenha pago 300 euros de transporte para um atendimento de minutos.

A ideia fazia sentido no papel. Se as lojas de Lisboa e do Porto estavam entupidas, espalhava-se o atendimento pelo país e as filas encolhiam. Foi isso que a AIMA fez. O que ficou de fora do plano foi a geografia de quem é atendido. As vagas estão a ser atribuídas por disponibilidade, não por proximidade da morada do requerente. O resultado, relatado pelo Jornal de Notícias, é gente a atravessar meio país para atos que demoram minutos. Um imigrante…

Continuar a ler
Edifício das Finanças em Albufeira, com a tabuleta azul de serviço de finanças na fachada
Imigração 23 de agosto de 2026

183 dias em Portugal e passa a pagar IRS sobre o que ganha no mundo inteiro

A regra dos 183 dias é o que separa um residente fiscal de um não residente, e muda tudo na primeira declaração. Guia ao que conta, ao que não conta e ao que costuma correr mal.

Muita gente muda-se para Portugal a pensar no arrendamento, na escola e no NIF, e só descobre a questão fiscal em maio do ano seguinte, quando chega a altura de entregar a declaração. É tarde para planear e cedo demais para o susto passar. A pergunta que decide tudo é simples: é ou não residente fiscal em Portugal? Se for, o país tributa-lhe o rendimento mundial. Se não for, tributa-lhe apenas o que ganhou cá. O critério principal está no artigo 16.º do…

Continuar a ler
Átrio de atendimento da Conservatória dos Registos Centrais, em Lisboa, com utentes a entrar, funcionários aos balcões e cadeiras de espera
Imigração 22 de agosto de 2026

O IRN recebeu 47 conservadores em agosto, os primeiros em mais de vinte anos (e em setembro entram mais 66)

Tomaram posse a 3 de agosto e foram colocados também na Conservatória dos Registos Centrais e no Arquivo Central do Porto, onde se decidem os processos de nacionalidade. Em 2025, mais de 63% dos trabalhadores do IRN tinham 55 anos ou mais.

Quem tem um processo de nacionalidade parado numa conservatória raramente recebe boas notícias sobre pessoal. Recebeu uma este mês, e o próprio Instituto dos Registos e do Notariado diz que 47 novos conservadores de registos iniciaram funções a 3 de agosto, mais de vinte anos depois do último ingresso na carreira. Vinte anos é o número que interessa aqui. Não houve uma admissão de conservadores neste país desde antes de existir o cartão de cidadão, e…

Continuar a ler
Gráfico de barras com a percentagem de expatriados em Portugal que avalia bem quatro dimensões: segurança 94, rendimento 75, burocracia 20 e emprego 19
Imigração 18 de agosto de 2026

Portugal é o 8.º melhor país do mundo para expatriados. A papelada é que continua a ser a pior parte

O Expat Insider 2026 da InterNations coloca Portugal em oitavo entre 31 destinos, com 94% dos inquiridos a sentirem-se seguros e três em cada quatro a dizer que o rendimento chega. Só um em cada cinco acha fácil lidar com os serviços.

Há um retrato de Portugal que circula todos os anos entre quem está a pensar mudar-se, e este ano ele voltou a sair simpático. O Expat Insider 2026 da InterNations põe Portugal em oitavo lugar entre 31 destinos, à frente do Luxemburgo e atrás de Singapura, num top 10 que junta três países europeus, três latino-americanos e três do sudeste asiático. Depois abre-se o relatório e aparece a outra metade.

Continuar a ler
Loja do Cidadão, onde funcionam balcões de atendimento da AIMA
Imigração 17 de agosto de 2026

AIMA em acompanhamento: prazos, backlog e novidades

Acompanhamento contínuo da AIMA — backlog de processos, prazos de renovação, biometria, golden visa e mudanças de serviço. Atualizado a cada novidade.

Se está a tratar de residência ou nacionalidade, esta é a página para guardar nos favoritos. Em vez de um artigo por cada anúncio, reunimos aqui o essencial da AIMA: backlog de processos, prazos de renovação, biometria, golden visa e mudanças de serviço. Para as regras da cidadania, veja a nova lei da nacionalidade. A informação oficial está na AIMA. O portal de renovações da AIMA está a receber pedidos para as autorizações de residência que caducam em…

Continuar a ler
Gráfico Tugadaily com três barras: sete normas enviadas ao Tribunal Constitucional em 2025, cinco chumbadas, e onze normas enviadas em 2026
Imigração 16 de agosto de 2026

O Constitucional já chumbou cinco normas da lei de estrangeiros. Agora tem onze pela frente

O prazo termina a 31 de agosto. Entre o chumbo do verão passado e a decisão que aí vem, quatro dos treze juízes mudaram — e há normas que ninguém contestou também paradas à espera.

O Tribunal Constitucional tem até 31 de agosto para decidir sobre a nova lei de estrangeiros. É o segundo verão seguido em que as férias judiciais no Palácio Ratton são passadas com a mesma matéria em cima da mesa, e a comparação entre as duas ocasiões diz bastante mais do que qualquer prognóstico. Em agosto de 2025 foram sete as normas enviadas, pelo então Presidente Marcelo Rebelo de Sousa. O tribunal chumbou cinco. O acórdão 785/2025 travou, entre…

Continuar a ler
Gráfico de barras: 295 dias desde que o visto de procura de trabalho qualificado foi criado, contra os 120 dias que ele duraria
Imigração 14 de agosto de 2026

O visto de procura de trabalho qualificado existe desde outubro. Quase dez meses depois, continua sem se poder pedir

A Lei n.º 61/2025 suspendeu o antigo visto de procura de trabalho e criou um novo, restrito a quadros qualificados, dependente de portaria conjunta de quatro ministérios. Essa portaria continua por publicar, e sem ela não há candidaturas.

A 23 de outubro de 2025, o dia em que a nova lei de estrangeiros entrou em vigor, os consulados portugueses deixaram de aceitar pedidos de visto de procura de trabalho. Aquela categoria — a que permitia entrar em Portugal com 120 dias para encontrar emprego — desapareceu nos termos em que existia. No lugar dela, a Lei n.º 61/2025 criou outra: um visto de procura de trabalho reservado a quem tem competências técnicas especializadas ou vai exercer uma…

Continuar a ler