A Google gastou tanto em data centers que ficou sem dinheiro livre no trimestre
A Alphabet fechou o segundo trimestre com fluxo de caixa livre negativo em 5,9 mil milhões de dólares, depois de duplicar o investimento em infraestrutura. E ainda subiu a fasquia para o resto do ano.
A Alphabet teve um trimestre excelente e a bolsa castigou-a à mesma. As receitas subiram 24%, a nuvem cresceu 82% — números com que a maioria das empresas do mundo sonha — e mesmo assim as ações caíram. A culpa é de uma linha só: o investimento.
Porque é que o fluxo de caixa da Alphabet ficou negativo?
Porque a empresa gastou mais em infraestrutura do que gerou a operar. No segundo trimestre, a compra de equipamento e instalações duplicou face ao ano anterior, para 44,9 mil milhões de dólares, contra 39,1 mil milhões de dólares gerados pela operação. A conta dá o que tem de dar: um fluxo de caixa livre negativo em cerca de 5,9 mil milhões de dólares. Para a dona da Google, uma máquina de imprimir dinheiro há duas décadas, isto é território novo.
Quanto é que a Alphabet vai gastar em 2026?
Entre 195 e 205 mil milhões de dólares, segundo a própria empresa — uma revisão em alta face aos 180 a 190 mil milhões que tinha prometido antes. A justificação oficial é que a capacidade está a ser entregue mais depressa do que o previsto porque a procura não pára. A leitura menos simpática é que ninguém no setor sabe onde é o teto desta corrida, e que parar primeiro é que é o verdadeiro risco.
O que é que isto diz sobre a corrida à IA?
Diz que a fase barata acabou. A Microsoft está a financiar data centers da Mistral na Europa, a Google prepara chips feitos à medida do Gemini para gastar menos energia por resposta, e Portugal anda a preparar zonas industriais para receber estes armazéns de computação. Toda a gente está a construir ao mesmo tempo, com dinheiro que só se paga se a procura por inteligência artificial continuar a crescer ao ritmo atual.
Os investidores não estão propriamente em pânico: continuam a comprar a história do crescimento. Estão é a começar a perguntar quando é que a fatura da infraestrutura volta a caber no que o negócio gera. Os números completos estão na área de investidores da Alphabet, e a resposta a essa pergunta é a coisa mais interessante que vai sair dos próximos trimestres.
Por Beatriz Mota
Imagem: Chad Davis / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)