Já se apanha a FlixBus no Montijo sem passar pela Gare do Oriente (e Coimbra fica a 4,49 euros)
A linha entrou em operação a 13 de agosto e liga o Montijo a Torres Vedras, São Martinho do Porto, Nazaré, Marinha Grande e Coimbra. São quatro horários diários, dois em cada sentido, e a paragem nova ficou nas Portas da Cidade, junto à A33 e à A12.
Quem mora no Montijo e quisesse apanhar um autocarro de longo curso tinha, até esta semana, uma rotina conhecida: atravessar o Tejo, chegar à Gare do Oriente e só aí começar a viagem a sério. Deixou de ser preciso. A FlixBus começou a operar no concelho a 13 de agosto e a paragem nova ficou nas Portas da Cidade, na Avenida Pedro Nunes, atrás da Decathlon e ao lado de uma paragem da Carris Metropolitana.
A linha sobe pela margem sul e depois pelo Oeste. Do Montijo segue para Torres Vedras, São Martinho do Porto, Nazaré e Marinha Grande, e termina em Coimbra. São quatro horários por dia, dois em cada sentido. Do Montijo sai às 11h05 e às 16h45; de Coimbra às 10h55 e às 17h35. Os bilhetes começam nos 4,49 euros para Montijo–Coimbra e para Montijo–Nazaré, e vendem-se na aplicação, no site da transportadora, nos pontos Pagaqui e em agências parceiras.
O que muda na prática
Duas coisas, e a segunda é a mais interessante. A primeira é óbvia: praia sem carro. São Martinho do Porto e a Nazaré passam a estar a um autocarro directo de distância, e a região Oeste ganha ligações internas que antes obrigavam a passar por Lisboa.
A segunda é Coimbra como plataforma. A partir de lá, com um único transbordo, abre-se a rede para Aveiro, Porto e Braga. Ou seja, um residente do Montijo chega ao Norte sem entrar em Lisboa, o que numa área metropolitana onde quase tudo converge para a capital não é um detalhe pequeno.
A empresa justifica a entrada com o crescimento do concelho, que aponta na ordem dos 20% de população nos últimos anos, e a paragem foi definida com a câmara municipal, numa zona com acesso rápido à A33 e à A12.
Vale a pena ler isto ao lado do resto do mapa de transportes da margem sul, que anda em obras há anos e vai continuar: estão previstas duas travessias novas no Tejo em dez anos, uma delas a descer no Barreiro. E no comboio, a aposta grande continua a ser outra, com duas empresas ainda na corrida para pôr a CP a andar a 300 quilómetros por hora. Enquanto isso não chega, um autocarro às 11h05 resolve mais do que parece.
Por Beatriz Mota
Imagem: Anthony Levrot / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)