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Duas mãos com alianças de casamento
Imigração 17 de julho de 2026

Casar com um português dá mesmo residência e nacionalidade? O que vale em 2026

Casamento ou união de facto com um cidadão português abre caminho à residência (via AIMA) e à nacionalidade ao fim de 3 anos — mas a lei de 2026 apertou as regras. O guia completo.

Sim — casar ou viver em união de facto com um cidadão português continua a ser um dos caminhos mais diretos para a residência legal e, mais tarde, para a nacionalidade. Mas são dois processos diferentes, em duas casas diferentes, e a lei da nacionalidade que entrou em vigor em 2026 tornou o segundo mais exigente. Vamos por partes.

Como conseguir a residência por casamento ou união de facto?

O cônjuge ou companheiro estrangeiro de um cidadão português pede a residência através do reagrupamento familiar, tratado na AIMA. No casamento basta a certidão; na união de facto é preciso provar a relação — em regra, pelo menos dois anos de vida em comum, com documentos como contrato de arrendamento conjunto, contas partilhadas ou a inscrição na junta de freguesia. Os requisitos e o pedido estão descritos na página oficial da AIMA sobre reagrupamento familiar, e nós já explicámos como funciona o reagrupamento na prática, incluindo prazos e documentos.

Quantos anos de casamento são precisos para a nacionalidade portuguesa?

Três anos — e este prazo não mudou com a nova lei. Quem está casado há mais de três anos com um cidadão português pode declarar que quer ser português, num processo que corre no registo civil (IRN), não na AIMA. A união de facto vale o mesmo, com um passo extra: primeiro é preciso obter o reconhecimento judicial da relação num tribunal cível, e só depois entra o pedido de nacionalidade. Os detalhes oficiais estão no portal da Justiça.

O que mudou com a lei de 2026?

O prazo manteve-se, mas o filtro apertou. A Lei Orgânica 1/2026, em vigor desde maio, reforçou o chamado regime de oposição: o Ministério Público pode opor-se à aquisição quando não há ligação efetiva à comunidade portuguesa, e os requisitos para demonstrar essa ligação aproximaram-se dos exigidos na naturalização — o que na prática dá peso a coisas como viver em Portugal, falar português ou ter cá a vida organizada. O escrutínio do registo criminal também ficou mais exigente. Há, porém, duas válvulas de escape expressas na lei: não há oposição quando o casamento ou a união duram há mais de seis anos, ou quando o casal tem filhos comuns com nacionalidade portuguesa. O contexto geral das novas regras está no nosso guia sobre a lei da nacionalidade de 2026.

Um aviso que evita dissabores: casamentos de conveniência não são um atalho, são um crime — quando há indícios de que o casamento ou a união serviram apenas para obter papéis, a autorização pode ser cancelada e o processo seguir para tribunal.

Quanto tempo de casamento é preciso para pedir a nacionalidade?

Mais de três anos de casamento (ou de união de facto reconhecida). O pedido é feito por declaração no registo civil e não exige prazo mínimo de residência em Portugal — mas a ligação efetiva ao país pesa na avaliação, sobretudo desde 2026.

A união de facto conta como o casamento?

Conta, com um passo extra: para a nacionalidade é preciso o reconhecimento judicial da união (mais de três anos); para a residência via AIMA, em regra bastam dois anos de vida em comum devidamente provados.

Preciso de saber português?

Para a residência, não. Para a nacionalidade, a prova de ligação à comunidade tornou-se mais exigente com a lei de 2026 — e o certificado de língua é a forma mais sólida de a demonstrar; o exame CIPLE explicado aqui é o caminho habitual.

O processo corre na AIMA ou no IRN?

Os dois, para coisas diferentes: residência e reagrupamento na AIMA; nacionalidade no IRN (registo civil). São processos independentes — pode ter residência sem nunca pedir a nacionalidade.

Por Juliana Castilho

Imagem ilustrativa · Foto: Melike B / Pexels

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Imigração 4 de setembro de 2026

O Algarve é o segundo melhor sítio do mundo para viver a reforma (e já não é pelo preço)

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Há uma lista americana que sai todos os anos e que, sem grande alarido, move gente de um continente para outro. É o Overseas Retirement Index, da Live and Invest Overseas, e na edição de 2026 o Algarve ficou em segundo lugar entre os melhores sítios do mundo para viver a reforma. À frente ficou apenas Boquete, uma vila nas terras altas do Panamá. O que o Algarve deixou para trás diz mais do que o lugar em si. A região ficou à frente de Puerto Vallarta, no…

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Fachada rosa do Palácio de Belém, em Lisboa, vista dos jardins fronteiros, com a bandeira nacional hasteada à esquerda
Imigração 3 de setembro de 2026

Seguro promulgou a lei do retorno a 31 de agosto, três dias depois do acórdão do Constitucional

O Presidente da República assinou o diploma que altera os regimes de acolhimento, de entrada e afastamento de estrangeiros e de concessão de asilo. Fê-lo depois de o Tribunal Constitucional não ter chumbado nenhuma norma e ter fixado critérios interpretativos para tribunais e autoridades administrativas.

A lei está assinada. António José Seguro promulgou a 31 de agosto o diploma que altera os regimes de acolhimento de estrangeiros ou apátridas em centros de instalação temporária, de entrada, permanência, saída e afastamento de estrangeiros do território nacional, e de concessão de asilo. Foram três dias entre o acórdão do Tribunal Constitucional e a caneta.

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O Palácio Ratton, em Lisboa, sede do Tribunal Constitucional, visto de baixo, com a bandeira nacional hasteada e um cravo vermelho desfocado em primeiro plano
Imigração 30 de agosto de 2026

Lei do retorno passou no Constitucional sem uma única norma chumbada

Os sete juízes que assinaram o acórdão foram unânimes: nenhuma das onze normas é inconstitucional. O Presidente tinha levantado as dúvidas a 7 de agosto, e caíram todas.

O Tribunal Constitucional decidiu na sexta-feira que a chamada lei do retorno não tem nada de inconstitucional. Nem uma norma, das onze que lhe foram postas à frente. Os sete juízes que assinaram o acórdão 736/2026 foram unânimes. É uma conclusão rápida de dizer e lenta de ler: o acórdão passa das 160 páginas, segundo o presidente do tribunal, João Carlos Loureiro. António José Seguro enviou o diploma para fiscalização preventiva a 7 de agosto, três…

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Gráfico de barras com o primeiro ano de fiscalização da UNEF: 52 421 estrangeiros fiscalizados, 1 117 irregulares, 831 notificados e 285 detidos
Imigração 27 de agosto de 2026

A UNEF fiscalizou 52 421 estrangeiros no primeiro ano e encontrou 1 117 irregulares

A PSP fechou as contas à nova unidade de estrangeiros e fronteiras. Foram 5 397 ações entre 21 de agosto de 2025 e 31 de julho de 2026, 831 notificações para sair do país e 285 detenções — e uma taxa de irregularidade de 2,1%.

A PSP fez as contas ao primeiro ano da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras. O número que salta à vista não é o das detenções — é a proporção. Entre 21 de agosto de 2025 e 31 de julho de 2026, os Núcleos de Estrangeiros e Controlo Fronteiriço realizaram 5 397 ações de fiscalização, nas quais foram fiscalizados 52 421 cidadãos estrangeiros. Destes, 1 117 estavam em situação irregular. São 2,1%. Das mesmas ações resultaram 831 notificações para…

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Edifício da Loja do Cidadão de Santiago do Cacém, com a sinalética à entrada
Imigração 26 de agosto de 2026

Não está no contrato de arrendamento? A AIMA aceita, mas exige-lhe duas coisas no dia do atendimento

Quem arrenda um quarto ou vive em casa emprestada raramente aparece no contrato, e a AIMA tem um caminho para esses casos. Passa por uma declaração sob compromisso de honra com o número da descrição predial e o NIF do proprietário, e por uma certidão de domicílio fiscal emitida há menos de 30 dias.

Há um detalhe que apanha muita gente de surpresa no atendimento da AIMA, e não é a fila. É a prova de alojamento. Quem comprou casa resolve o assunto num minuto. Quem arrenda um quarto numa casa partilhada, vive em casa de um familiar ou tem um contrato feito em nome de outra pessoa, esse tem um problema real: o documento que a AIMA quer ver tem o nome de outra pessoa em cima. A boa notícia é que existe um caminho previsto para exatamente essa situação. A…

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Balcões de atendimento de um Espaço do Cidadão em Portugal, com funcionários a atender e pessoas sentadas à espera da sua vez
Imigração 25 de agosto de 2026

Vai pedir reagrupamento familiar para um filho menor? Ele tem de estar em Portugal no dia do pedido

Há um critério na plataforma de Reagrupamento Familiar de Menores da AIMA que apanha muita gente de surpresa: a criança tem de estar comprovadamente em território nacional na data em que o requerimento é apresentado. Se ainda estiver no estrangeiro, o portal não aceita e o pedido faz-se presencialmente.

Se está em Portugal e quer trazer um filho menor por reagrupamento familiar, há uma condição pouco conhecida que dá cabo do planeamento a muita gente: a criança tem de estar comprovadamente em território nacional na data em que o requerimento é apresentado na plataforma de Reagrupamento Familiar de Menores. Está escrito na nota informativa da própria AIMA sobre reagrupamento familiar e repetido na lista de plataformas de agendamento do Ministério dos…

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Fila de utentes junto aos balcões dos registos no Campus de Justiça de Lisboa, com um funcionário a atender ao balcão 14
Imigração 24 de agosto de 2026

O prazo para regulamentar a lei da nacionalidade expirou a 16 de agosto. Continua tudo como estava em 2006

A Lei Orgânica 1/2026 deu ao Governo 90 dias para atualizar o Regulamento da Nacionalidade Portuguesa. Fomos ao registo de legislação consolidada do Diário da República a 24 de agosto: a última alteração continua a ser de julho de 2025.

O Governo deu a si próprio 90 dias para escrever o manual de instruções da nova lei da nacionalidade. Esse prazo terminou a 16 de agosto. Oito dias depois, o manual continua a ser o de 2006. Fomos confirmar da forma mais simples que existe. Abrimos o registo de legislação consolidada do Decreto-Lei n.º 237-A/2006, que é o diploma que aprova o Regulamento da Nacionalidade Portuguesa, e lemos a lista completa dos diplomas que o alteraram desde 2006. São…

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Vista aérea da vila de Carregal do Sal, no distrito de Viseu, com casas de telhado vermelho e campos em redor
Imigração 23 de agosto de 2026

Vive em Almada e a AIMA marcou-lhe atendimento em Carregal do Sal

A descentralização das marcações aliviou as filas de Lisboa e do Porto, mas as vagas são atribuídas por disponibilidade e não por morada. Há quem tenha pago 300 euros de transporte para um atendimento de minutos.

A ideia fazia sentido no papel. Se as lojas de Lisboa e do Porto estavam entupidas, espalhava-se o atendimento pelo país e as filas encolhiam. Foi isso que a AIMA fez. O que ficou de fora do plano foi a geografia de quem é atendido. As vagas estão a ser atribuídas por disponibilidade, não por proximidade da morada do requerente. O resultado, relatado pelo Jornal de Notícias, é gente a atravessar meio país para atos que demoram minutos. Um imigrante…

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Edifício das Finanças em Albufeira, com a tabuleta azul de serviço de finanças na fachada
Imigração 23 de agosto de 2026

183 dias em Portugal e passa a pagar IRS sobre o que ganha no mundo inteiro

A regra dos 183 dias é o que separa um residente fiscal de um não residente, e muda tudo na primeira declaração. Guia ao que conta, ao que não conta e ao que costuma correr mal.

Muita gente muda-se para Portugal a pensar no arrendamento, na escola e no NIF, e só descobre a questão fiscal em maio do ano seguinte, quando chega a altura de entregar a declaração. É tarde para planear e cedo demais para o susto passar. A pergunta que decide tudo é simples: é ou não residente fiscal em Portugal? Se for, o país tributa-lhe o rendimento mundial. Se não for, tributa-lhe apenas o que ganhou cá. O critério principal está no artigo 16.º do…

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Átrio de atendimento da Conservatória dos Registos Centrais, em Lisboa, com utentes a entrar, funcionários aos balcões e cadeiras de espera
Imigração 22 de agosto de 2026

O IRN recebeu 47 conservadores em agosto, os primeiros em mais de vinte anos (e em setembro entram mais 66)

Tomaram posse a 3 de agosto e foram colocados também na Conservatória dos Registos Centrais e no Arquivo Central do Porto, onde se decidem os processos de nacionalidade. Em 2025, mais de 63% dos trabalhadores do IRN tinham 55 anos ou mais.

Quem tem um processo de nacionalidade parado numa conservatória raramente recebe boas notícias sobre pessoal. Recebeu uma este mês, e o próprio Instituto dos Registos e do Notariado diz que 47 novos conservadores de registos iniciaram funções a 3 de agosto, mais de vinte anos depois do último ingresso na carreira. Vinte anos é o número que interessa aqui. Não houve uma admissão de conservadores neste país desde antes de existir o cartão de cidadão, e…

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Gráfico de barras com a percentagem de expatriados em Portugal que avalia bem quatro dimensões: segurança 94, rendimento 75, burocracia 20 e emprego 19
Imigração 18 de agosto de 2026

Portugal é o 8.º melhor país do mundo para expatriados. A papelada é que continua a ser a pior parte

O Expat Insider 2026 da InterNations coloca Portugal em oitavo entre 31 destinos, com 94% dos inquiridos a sentirem-se seguros e três em cada quatro a dizer que o rendimento chega. Só um em cada cinco acha fácil lidar com os serviços.

Há um retrato de Portugal que circula todos os anos entre quem está a pensar mudar-se, e este ano ele voltou a sair simpático. O Expat Insider 2026 da InterNations põe Portugal em oitavo lugar entre 31 destinos, à frente do Luxemburgo e atrás de Singapura, num top 10 que junta três países europeus, três latino-americanos e três do sudeste asiático. Depois abre-se o relatório e aparece a outra metade.

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Loja do Cidadão, onde funcionam balcões de atendimento da AIMA
Imigração 17 de agosto de 2026

AIMA em acompanhamento: prazos, backlog e novidades

Acompanhamento contínuo da AIMA — backlog de processos, prazos de renovação, biometria, golden visa e mudanças de serviço. Atualizado a cada novidade.

Se está a tratar de residência ou nacionalidade, esta é a página para guardar nos favoritos. Em vez de um artigo por cada anúncio, reunimos aqui o essencial da AIMA: backlog de processos, prazos de renovação, biometria, golden visa e mudanças de serviço. Para as regras da cidadania, veja a nova lei da nacionalidade. A informação oficial está na AIMA. O portal de renovações da AIMA está a receber pedidos para as autorizações de residência que caducam em…

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Gráfico Tugadaily com três barras: sete normas enviadas ao Tribunal Constitucional em 2025, cinco chumbadas, e onze normas enviadas em 2026
Imigração 16 de agosto de 2026

O Constitucional já chumbou cinco normas da lei de estrangeiros. Agora tem onze pela frente

O prazo termina a 31 de agosto. Entre o chumbo do verão passado e a decisão que aí vem, quatro dos treze juízes mudaram — e há normas que ninguém contestou também paradas à espera.

O Tribunal Constitucional tem até 31 de agosto para decidir sobre a nova lei de estrangeiros. É o segundo verão seguido em que as férias judiciais no Palácio Ratton são passadas com a mesma matéria em cima da mesa, e a comparação entre as duas ocasiões diz bastante mais do que qualquer prognóstico. Em agosto de 2025 foram sete as normas enviadas, pelo então Presidente Marcelo Rebelo de Sousa. O tribunal chumbou cinco. O acórdão 785/2025 travou, entre…

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Gráfico de barras: 295 dias desde que o visto de procura de trabalho qualificado foi criado, contra os 120 dias que ele duraria
Imigração 14 de agosto de 2026

O visto de procura de trabalho qualificado existe desde outubro. Quase dez meses depois, continua sem se poder pedir

A Lei n.º 61/2025 suspendeu o antigo visto de procura de trabalho e criou um novo, restrito a quadros qualificados, dependente de portaria conjunta de quatro ministérios. Essa portaria continua por publicar, e sem ela não há candidaturas.

A 23 de outubro de 2025, o dia em que a nova lei de estrangeiros entrou em vigor, os consulados portugueses deixaram de aceitar pedidos de visto de procura de trabalho. Aquela categoria — a que permitia entrar em Portugal com 120 dias para encontrar emprego — desapareceu nos termos em que existia. No lugar dela, a Lei n.º 61/2025 criou outra: um visto de procura de trabalho reservado a quem tem competências técnicas especializadas ou vai exercer uma…

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