Um ferry ardeu ao largo de Madura com 271 pessoas a bordo. Cinco morreram e 41 continuam desaparecidos
O Mutiara Sentosa 2 fazia a travessia de Surabaia para Makassar quando o fogo começou, ao amanhecer. As buscas continuam no mar de Java.
O fogo começou entre as seis e as sete da manhã, quando a maioria das pessoas ainda dormia. O Mutiara Sentosa 2 tinha saído de Surabaia, na ilha de Java, com destino a Makassar, no Sulawesi do Sul, e ia a meio da travessia quando as chamas apanharam o navio ao largo da ilha de Madura. Iam a bordo 271 pessoas: 232 passageiros e 39 tripulantes.
Ao fim do dia de domingo, as autoridades indonésias contabilizavam cinco mortos e 41 desaparecidos. Os restantes 227 foram recolhidos por navios que estavam nas imediações e acorreram ao pedido de socorro — barcos de pesca, cargueiros e embarcações da autoridade marítima que foram tirando gente da água e das jangadas insufláveis ao longo da manhã.
O que se sabe sobre a origem do fogo
A causa continua por apurar. Um sobrevivente contou que as chamas pareciam ter começado num camião estacionado no convés inferior, o dos veículos — a hipótese que os investigadores estão a trabalhar, mas que ainda não foi confirmada oficialmente. Os ferries indonésios que ligam as grandes ilhas transportam passageiros e carga rodada no mesmo casco, e é precisamente esse convés fechado, cheio de combustível e de material inflamável, que torna um incêndio a bordo tão difícil de conter.
As buscas prosseguiram esta segunda-feira com meios aéreos e navais, condicionadas pela dimensão da área a varrer. O mar de Java é raso e movimentado, o que ajuda, mas as correntes afastam depressa quem ficou à deriva.
Porque é que isto se repete na Indonésia
O arquipélago tem mais de 17 mil ilhas e o barco continua a ser, para milhões de pessoas, o transporte normal entre elas — não uma alternativa turística. Com essa escala vem um historial pesado de acidentes: navios sobrelotados, frotas envelhecidas e fiscalização desigual entre portos são apontados há anos como o problema de fundo. Cada tragédia traz promessas de inspeções mais apertadas e a rotina volta pouco depois.
É o segundo desastre marítimo com turistas e passageiros no sudeste asiático a chegar às notícias em poucas semanas, depois do naufrágio ao largo de Phu Quoc, no Vietname, em julho. As recomendações internacionais de segurança para navios de passageiros estão reunidas no site da Organização Marítima Internacional, a agência das Nações Unidas que fixa as regras que cada país depois aplica — ou não — na sua frota.
Por Marta Carneiro
Imagem: Mujionomaruf / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)