Trump entrega a chefia de gabinete a Stephen Miller três dias depois da derrota nas intercalares
O arquiteto da política de deportações em massa substitui Susie Wiles a partir de segunda-feira, 9 de novembro. Wiles demitiu-se na quinta à noite e passa para a estrutura política do presidente; os líderes democratas, que controlam as duas câmaras a partir de janeiro, já prometeram oposição.
Stephen Miller vai ser o novo chefe de gabinete da Casa Branca. Donald Trump anunciou a mudança na sexta-feira à tarde, segundo a NBC News, numa publicação na sua rede Truth Social: Miller, até aqui chefe de gabinete adjunto, assume o cargo na segunda-feira e substitui Susie Wiles.
Wiles entregou a demissão na quinta-feira à noite, de acordo com um funcionário da Casa Branca citado pela NBC. Trump elogiou o trabalho dela e disse que ela vai passar para a operação política do presidente.
A troca chega três dias depois de os republicanos terem perdido a Câmara dos Representantes e o Senado nas eleições intercalares de 3 de novembro.
Quem é Stephen Miller?
É o conselheiro que desenhou a política de imigração de Trump, incluindo a campanha de deportações em massa do segundo mandato. Está com o presidente desde a primeira campanha, em 2016, e tem fama de leal até ao fim e exigente com quem trabalha abaixo dele. Em maio de 2025 chegou a pressionar os responsáveis do ICE, a polícia de imigração, para chegarem às 3.000 detenções por dia.
No X, Miller agradeceu a Wiles e escreveu que a missão agora é lutar “com toda a alma” pelo presidente.
Porque é que a escolha está a ser lida como um recado?
Porque vai no sentido contrário ao que os eleitores disseram nas urnas. Na sondagem à boca das urnas da NBC, 57% dos eleitores consideraram que a fiscalização da imigração de Trump foi longe demais, contra 23% que a acharam adequada e 21% que queriam ainda mais.
Em vez de um nome de consenso, Trump escolheu a figura mais identificada com a ala MAGA para os dois anos que lhe restam. Em meados de outubro tinha garantido à NBC que Wiles ficaria “até ao fim”.
Como reagiram os democratas?
Mal. Hakeem Jeffries, que deverá ser o próximo presidente da Câmara dos Representantes em janeiro, pediu que Miller fosse despedido em vez de promovido. Chuck Schumer, líder democrata no Senado, disse que Trump “não aprendeu nada” com a derrota e prometeu que a nova maioria vai fazer frente a Miller “a cada passo”.
Com as duas câmaras nas mãos da oposição a partir de janeiro, o chefe de gabinete passa a ser também o principal interlocutor da Casa Branca com um Congresso hostil, incluindo nas investigações que os democratas já admitem abrir.
Imagem: Departamento de Defesa dos EUA / Wikimedia Commons (domínio público)