A GNR vai protestar ao lado da PSP a partir do final de setembro
O acordo de 2024 rendeu mais de 300 euros no suplemento por serviço e risco. A revisão do regime remuneratório, das carreiras e da avaliação continua por fazer, e a associação dos profissionais da Guarda anuncia protestos até meados de outubro.
O Secretariado da Direcção Nacional da Associação dos Profissionais da Guarda reuniu-se na sexta-feira, na sede nacional em Lisboa, e saiu com uma decisão tomada. A GNR vai protestar. As acções começam no final deste mês, prolongam-se até meados de outubro e terminam naquilo a que a associação chama uma grande acção de protesto nacional.
A conta que a APG/GNR faz tem dois anos. Em 2024 assinou-se um acordo com a tutela que subiu o suplemento por serviço e risco em mais de 300 euros nas forças de segurança. Essa parte foi paga. O resto, diz a associação, ficou no papel: a revisão do regime remuneratório, a revisão das carreiras e o novo sistema de avaliação continuam por fazer.
O que a Guarda pede além do salário
Há ainda um ponto que é só dos militares da GNR e que a associação classifica como absolutamente imperativo: os cortes nas pensões. A APG/GNR quer que o Governo reponha o regime de cálculo anterior, argumentando que a fórmula actual penaliza quem sai de uma profissão com desgaste rápido.
O protesto não nasce sozinho. A associação vai avançar em articulação com a estrutura sindical mais representativa da PSP, por entender que as reivindicações das duas forças são, no essencial, as mesmas. Na prática, isso significa polícias e militares da Guarda na rua ao mesmo tempo, num outono que já tinha uma greve das carreiras gerais da Função Pública marcada para 2 de outubro.
Onde a associação põe a responsabilidade
A APG/GNR não aponta o dedo ao ministério que tutela a Guarda. Aponta-o mais acima: ao Ministério das Finanças, e ao peso político que seria preciso para destravar o dinheiro. É uma distinção que interessa reter, porque define onde a negociação se resolve, se se resolver.
E a porta fica aberta. No mesmo comunicado em que anuncia os protestos, a associação diz que não encerra as negociações e faz votos para que aconteçam depressa. Também é a leitura mais prudente: um ciclo de protestos com data de fim marcada é, normalmente, um ciclo desenhado para forçar uma reunião, não para substituí-la.
Para as duas forças, o calendário conta. Outubro é o mês em que o Orçamento do Estado entra no Parlamento, e é sempre aí que as promessas orçamentais de setembro ganham ou perdem uma linha concreta. Este ano a PSP já tinha feito contas ao verão, com 367 polícias deslocados para os aeroportos para aguentar as filas.
Imagem: APG/GNR