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Fachada rosa do Palácio de Belém, residência oficial do Presidente da República, vista do jardim
Política 2 de agosto de 2026

O caso Luís Neves chegou a Belém e o Presidente quer conclusões rápidas

António José Seguro pediu conclusões rápidas no caso Luís Neves e apelou à preservação da dignidade das instituições, no mesmo fim de semana em que a conferência de líderes recusou ouvir o ministro da Administração Interna na Comissão Permanente.

O Presidente da República entrou no caso do ministro da Administração Interna da forma mais previsível e, ainda assim, mais significativa: pediu conclusões rápidas e apelou a que se preserve a dignidade das instituições. António José Seguro falava em Marvão, e foi a sua primeira reação pública às polémicas que envolvem Luís Neves — que dirigiu a Polícia Judiciária até fevereiro, quando passou para o Governo. A escolha das palavras diz muito — não tomou posição sobre os factos, mas deixou claro que arrastar isto durante meses é, em si, um problema.

O timing não é inocente. No mesmo fim de semana, a conferência de líderes recusou que o ministro da Administração Interna e a ministra da Justiça, Rita Júdice, fossem ouvidos na Comissão Permanente — a solução que estava em cima da mesa para o Parlamento tratar do assunto durante as férias parlamentares.

O que é que o Presidente disse exatamente?

Duas coisas, e nenhuma delas por acaso. Primeiro, que as conclusões devem chegar depressa. Segundo, que ao longo do processo se deve preservar a dignidade das instituições — leia-se o Governo, a Polícia Judiciária que Luís Neves dirigiu até fevereiro e o próprio Parlamento. É a linguagem clássica de Belém: não julga, mas marca o compasso.

Porque é que o Parlamento não quer ouvir Luís Neves agora?

Porque a Comissão Permanente é um formato limitado, pensado para funcionar entre sessões legislativas, e a maioria dos líderes entendeu que uma audição desta dimensão não cabe ali. Fica adiada para o regresso do plenário — o que significa que a discussão política volta a arrancar em setembro, com o processo da comissão de inquérito aos anos de Luís Neves à frente da PJ já lançado e várias linhas em aberto, incluindo a das faturas de uma empresa ligada à mulher do ministro.

Entretanto, os factos continuam a mexer. O Tribunal Constitucional disse não ter declarações de rendimentos de Luís Neves de 2018 e 2021 e afirmou que a PJ nunca lhe comunicou os mandatos; a entidade da Transparência confirmou que a recondução dele como diretor nacional também nunca lhe foi comunicada. E o antigo diretor nacional da PJ Almeida Rodrigues respondeu publicamente às críticas que o hoje ministro lhe dirigiu. As competências e os deveres de declaração estão descritos no portal do Tribunal Constitucional.

Belém pediu rapidez. O Parlamento acabou de escolher esperar mais um mês. Nem sempre estas duas coisas se conjugam bem.

Por Tomás Vasconcelos

Imagem: Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

A vedação fronteiriça de Ceuta a entrar pelo mar, com casas na encosta do lado marroquino
Política 1 de agosto de 2026

Ceuta viveu a maior entrada de migrantes de sempre e Espanha já devolveu quase toda a gente

Dezenas de milhares de pessoas atravessaram para Ceuta esta semana, dezenas morreram no mar e o Governo espanhol diz que a maioria já foi devolvida a Marrocos. Um acórdão do Supremo está no centro de tudo.

Aconteceu a poucas centenas de quilómetros daqui e apanhou toda a gente desprevenida. Ao longo desta semana, dezenas de milhares de pessoas atravessaram de Marrocos para Ceuta, o enclave espanhol no norte de África, na maior entrada alguma vez registada naquela fronteira. Muitas foram a nado, contornando a vedação pelo mar. Dezenas não chegaram ao outro lado. O Governo espanhol contabiliza perto de 60 mil entradas ao longo de vários dias, um número que…

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Fachada envidraçada do edifício Berlaymont, sede da Comissão Europeia, em Bruxelas
Política 1 de agosto de 2026

Faltam 96 marcos do PRR para cumprir e o Governo tem até 31 de agosto para os fechar

Estão concluídos 283 dos 379 marcos e metas do PRR acordados com a Comissão Europeia. Faltam 96, e o prazo para os fechar e executar as subvenções termina a 31 de agosto.

Agora já há uma contabilidade concreta em cima da mesa. Dos 379 marcos e metas que Portugal acordou com a Comissão Europeia no Plano de Recuperação e Resiliência, 283 estão concluídos. Faltam 96, e o relógio pára a 31 de agosto. Noventa e seis marcos, na contabilidade apresentada pelo ministro da Economia e Coesão Territorial, Castro Almeida. É um número que parece grande a um mês do fim, mas boa parte corresponde a obras e reformas já em execução que só…

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Fachada do Palácio de São Bento, em Lisboa
Política 31 de julho de 2026

O relatório sobre a Segurança Social já está com o Governo, mas ninguém o vai ler já

O grupo de peritos entregou o estudo sobre a sustentabilidade da Segurança Social e das pensões. A divulgação, diz o Governo, fica para as próximas semanas.

O documento que vai mexer com as pensões de meia geração já está em cima da mesa do Governo. O relatório final do grupo de peritos sobre a sustentabilidade da Segurança Social foi entregue à ministra do Trabalho, e a resposta oficial sobre quando é que os portugueses o poderão ler foi, essencialmente, um encolher de ombros bem-educado: nas próximas semanas. O grupo, liderado pelo economista Jorge Bravo, foi encarregado de olhar para as peças mais…

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Fachada da Escola Secundária Francisco Franco, no Funchal, com carros estacionados em frente
Política 31 de julho de 2026

O concurso de professores vai mudar e passa a haver um que está sempre aberto

O Governo aprovou um novo modelo de recrutamento e colocação de docentes com dois concursos nacionais — um anual e outro contínuo — a entrar em vigor no ano letivo 2027/2028.

Quem já apanhou uma turma sem professor a meio de novembro sabe qual é o problema: o concurso resolve-se em julho e a escola parte-se em janeiro. O Conselho de Ministros aprovou na quinta-feira, na generalidade, um novo modelo de recrutamento e colocação de docentes que tenta atacar exatamente esse desencontro. Passa a haver dois concursos nacionais centralizados em vez de um. O anual continua a servir para preencher as necessidades permanentes das…

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Fachada do Tribunal da Relação de Coimbra com a inscrição Domus Iustitiae
Política 31 de julho de 2026

Pedir uma indemnização ao Estado vai deixar de obrigar a ir a tribunal

O Conselho de Ministros aprovou um procedimento administrativo para pedir indemnizações ao Estado e um regime rápido para acções administrativas até 15 mil euros, com meta de 18 meses.

Um buraco na estrada que rebenta uma jante, um licenciamento que ficou meses parado numa gaveta, um erro de um serviço público que custou dinheiro a alguém. Até hoje, quem quisesse ser ressarcido por isso tinha basicamente um caminho: contratar advogado e meter uma acção num tribunal administrativo. O Governo quer abrir uma porta muito mais barata. Directamente à entidade responsável. A proposta de lei aprovada em Conselho de Ministros cria um…

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Edifício escolar histórico em Alcântara, Lisboa, numa manhã de sol
Política 30 de julho de 2026

Os telemóveis vão estar proibidos até ao 9.º ano, e as escolas têm um período para se habituar

O Governo alarga a proibição dos telemóveis nas escolas a todos os alunos até ao 9.º ano, com entrada em vigor a 1 de janeiro de 2027. Quem abrange, que exceções ficam e o que dizem os diretores.

A regra já existia para os mais novos e agora sobe de escalão. O Governo decidiu alargar a proibição dos telemóveis nas escolas a todos os alunos até ao 9.º ano, através de uma alteração ao Estatuto do Aluno, e teve o cuidado de não atirar isto para cima das escolas de um dia para o outro. A 1 de janeiro de 2027. O primeiro período do próximo ano letivo funciona como rampa de acesso: serve para as escolas montarem o que for preciso, dos cacifos às regras…

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Sala do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em Nova Iorque, vazia
Política 30 de julho de 2026

Guterres sai da ONU no fim do ano e já há sete pessoas a disputar a cadeira dele

O mandato de António Guterres na ONU acaba a 31 de dezembro de 2026. Quem são os candidatos a secretário-geral, como funciona a escolha e quando se conhece o nome.

A 31 de dezembro acaba a década de António Guterres à frente das Nações Unidas, e o sucessor entra ao serviço logo a 1 de janeiro de 2027. Para Portugal é o fim de um ciclo raro — não é todos os dias que um português ocupa o lugar mais visível da diplomacia mundial — e para a ONU é a decisão mais importante de um ano em que a organização já andava a levar pancada de todos os lados. A lista foi crescendo ao longo do ano e vai já em sete nomes. Estão na…

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André Ventura a discursar diante de microfones numa noite eleitoral
Política 29 de julho de 2026

O gabinete de André Ventura apareceu revirado na Assembleia e a Judiciária já lá esteve

O gabinete do líder do Chega no Parlamento foi encontrado remexido na manhã de 28 de julho. A porta não foi forçada, a PJ investiga e Ventura diz que desapareceram documentos sobre Luís Neves.

Quem entrou primeiro no gabinete foi uma empregada de limpeza, na manhã de terça-feira. Encontrou papéis pelo chão, gavetas remexidas e o espaço todo desfeito — e avisou logo a segurança. O gabinete é o de André Ventura, presidente do Chega, no Palácio de São Bento, e a partir daí a manhã no Parlamento deixou de ser normal. A segurança da Assembleia isolou a sala de imediato e comunicou o caso à Polícia Judiciária, que enviou uma equipa ao local,…

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Volodymyr Zelensky e Donald Trump numa reunião na Sala Oval
Política 28 de julho de 2026

O Trump recebe Zelensky e Netanyahu no mesmo dia, e as duas guerras chegam à Casa Branca ao mesmo tempo

Donald Trump tem esta terça-feira reuniões separadas com o presidente ucraniano e com o primeiro-ministro israelita. Na mesa estão o processo de paz na Ucrânia e a guerra com o Irão, em fases decisivas.

Volodymyr Zelensky de manhã, Benjamin Netanyahu logo a seguir. Donald Trump marcou as duas reuniões para o mesmo dia e, sem querer ou querendo muito, transformou esta terça-feira numa espécie de balanço das duas guerras que dominam a política externa americana. O processo de paz entre a Rússia e a Ucrânia. Um responsável da Casa Branca resumiu a posição americana numa frase curta — chegou a altura de acabar com a guerra — e o tom da relação mudou bastante…

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Edifício do Tribunal Penal Internacional, em Haia
Política 28 de julho de 2026

O Tribunal Penal Internacional afastou Karim Khan do cargo e nunca tinha feito isto a um procurador

Os Estados-parte do TPI votaram a destituição do procurador-chefe Karim Khan, depois de conclusões de má conduta grave que ele nega. É a primeira vez que o tribunal afasta quem lidera a acusação.

O Tribunal Penal Internacional passou 24 anos a julgar chefes de Estado e nunca tinha tido de resolver um problema dentro de portas desta dimensão. Resolveu-o com uma votação: Karim Khan deixou de ser procurador-chefe. A Assembleia dos Estados-parte, o órgão onde se sentam os 125 países que reconhecem o tribunal, concluiu que houve má conduta grave e violação grave de deveres, no seguimento de denúncias de assédio sexual apresentadas por uma funcionária…

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Edifício da Loja do Cidadão de Mafra
Política 28 de julho de 2026

A Prestação Social Única já tem regras à porta, e custa mais 30 milhões por ano ao Estado

O Governo aprova nos próximos dias o decreto-lei que fixa valores e condições da Prestação Social Única, o apoio que junta 13 prestações sociais numa só.

Falta pouco para se saber quanto se recebe e quem recebe. O Governo prepara-se para aprovar nos próximos dias o decreto-lei que fixa os valores e as condições de acesso da Prestação Social Única, e o Ministério do Trabalho já adiantou a fatura: mais 30 milhões de euros por ano em proteção social. É a tentativa de arrumar a casa. Em vez de treze prestações do subsistema de solidariedade da Segurança Social — o Rendimento Social de Inserção incluído — passa…

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A sede da Polícia Judiciária em Lisboa, a instituição que Luís Neves dirigiu antes de ser ministro
Política 26 de julho de 2026

Luís Neves vai ter uma comissão de inquérito aos seus anos na PJ, e responde que ainda bem

O Chega força uma comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves como diretor nacional da Polícia Judiciária, agendada para setembro. A IL quer o ministro na Comissão Permanente antes disso.

O caso das obras do ministro da Administração Interna acaba de mudar de escala. Já não é só uma discussão sobre faturas e um atrelado: André Ventura anunciou na sexta-feira que o Chega avança com uma comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária. E o ministro, que tem passado semanas a dizer que está tranquilo, respondeu com duas palavras: ainda bem. É a ferramenta mais pesada que o Parlamento tem para…

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Fachada e cúpula do Capitólio dos Estados Unidos, em Washington
Política 25 de julho de 2026

O Congresso dos EUA quer um botão para desligar a inteligência artificial

A AI Kill Switch Act, apresentada por dois congressistas de partidos diferentes, obrigaria as empresas de IA a poder travar ou desligar os seus modelos — com coimas até 20 milhões de dólares por dia.

Há uma proposta de lei em Washington que obriga as empresas de inteligência artificial a manterem um botão de emergência nos seus próprios modelos. Chama-se AI Kill Switch Act, foi apresentada a 23 de julho por um democrata e um republicano, e nasceu de um incidente que ninguém no setor gostou de explicar. É um diploma que exige que quem desenvolve sistemas de IA suficientemente poderosos mantenha a capacidade técnica de os abrandar, suspender ou desligar…

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José Luís Carneiro (à direita) numa reunião oficial
Política 25 de julho de 2026

O Carneiro já disse o que o PS não abdica no Orçamento de 2027 — pensões e Constituição à cabeça

José Luís Carneiro diz que está tudo em aberto na negociação do Orçamento do Estado para 2027, mas fixou três linhas vermelhas. Veja quais são.

Ainda falta muito para o Orçamento do Estado de 2027 chegar ao Parlamento, mas o líder do PS já pôs os cartões na mesa. José Luís Carneiro diz que continua "tudo em aberto" na negociação com o Governo e, ao mesmo tempo, deixou claro que há três coisas de que os socialistas não abrem mão. A primeira é a defesa dos valores constitucionais — e aqui Carneiro foi direto: qualquer tentativa de mexer nos limites materiais da revisão da Constituição é inegociável…

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