O Mississípi não elege um senador democrata desde 1982. Scott Colom vai à frente por 2.574 votos
Cinco dias depois das intercalares, a corrida ao Senado no Mississípi continua sem vencedor: o democrata Scott Colom lidera a republicana Cindy Hyde-Smith por 49,1% contra 48,8%, faltam votos por correio e milhares de votos provisórios, e o estado não tem recontagens. No Alasca, Mary Peltola segue 637 votos à frente de Dan Sullivan.
Cinco dias depois das eleições intercalares, há dois lugares no Senado dos Estados Unidos ainda sem dono, e o mais improvável está no Mississípi. O democrata Scott Colom tinha no sábado 49,1% dos votos contra 48,8% da senadora republicana Cindy Hyde-Smith, uma vantagem de 2.574 votos com 97% contados, segundo a Associated Press.
Se a diferença aguentar, é a primeira vez desde 1982 que o estado manda um democrata para o Senado, como lembra a ABC News no texto em que explica as regras da contagem.
Pelas nossas contas, os 2.574 votos são menos de 0,3% dos mais de 950 mil boletins entrados. O candidato independente, Ty Pinkins, ficou com cerca de 2%.
Quando se sabe quem ganhou no Mississípi?
Não antes de sexta-feira, 13 de novembro, o prazo que os condados têm para certificar os resultados. Até lá entram duas pilhas de votos.
A primeira são os votos por correio: contam os que chegarem até terça-feira, 10 de novembro, desde que tenham carimbo do dia da eleição. Na quinta-feira o secretário de Estado do Mississípi, Michael Watson, falava em cerca de 3.300 ainda por chegar.
A segunda são os votos provisórios, os chamados affidavit ballots, de quem votou com algum problema no registo ou sem identificação. Ninguém sabe ao certo quantos são: a campanha de Colom estima uns 15 mil, os republicanos falam em perto de 17 mil. Quem votou sem documento tem também até dia 10 para o apresentar. Nos condados onde já foram abertos, como Oktibbeha e Lafayette, estes votos têm pendido para o democrata.
E se a diferença for mínima, há recontagem?
Não. O Mississípi não tem processo de recontagem, nem automático nem a pedido. Depois da certificação, um candidato pode examinar as urnas e os materiais de voto e, se encontrar problemas, levar o caso a tribunal.
É por aí que a luta já vai. O comité republicano para o Senado exigiu aos condados que separassem e guardassem todos os votos provisórios, e os advogados de Colom responderam que a exigência não tem base na lei estadual. A campanha de Hyde-Smith garantiu que vai levar isto “até ao fim”.
O que se passa no Alasca?
Lá a contagem anda mais devagar. A democrata Mary Peltola tinha 637 votos de vantagem sobre o senador republicano Dan Sullivan, com cerca de 74% contados, e a AP não atualizava os números desde quarta-feira. Se ninguém passar dos 50%, entra em cena o voto preferencial do estado, com a redistribuição das segundas escolhas marcada para 18 de novembro.
Quantos senadores podem ter os democratas?
Já têm 54 contra 44, depois de terem conquistado as duas câmaras do Congresso na noite de 3 de novembro. Com o Mississípi e o Alasca chegariam aos 56. Com só um dos dois ficam com 55. A maioria já está garantida de qualquer maneira, o que se joga agora é a folga para aguentar votos perdidos na própria bancada.
Imagem: Gage Skidmore / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)