A Origin Energy foi atacada e os dados bancários dos clientes ficaram expostos
A elétrica australiana Origin Energy confirmou que atacantes acederam a nomes, moradas, datas de nascimento e partes de dados bancários. Serve cerca de 4,8 milhões de contas.
Uma empresa que te vende eletricidade sabe muito mais sobre ti do que o teu consumo em quilowatts-hora. É essa a parte incómoda do caso da Origin Energy, a elétrica australiana que confirmou ter sido alvo de um ataque informático.
Que dados é que foram expostos?
Nomes, moradas, datas de nascimento, números de telefone, dados de conta e partes de informação de cartão de crédito ou bancária. A empresa serve cerca de 4,8 milhões de contas de clientes, mas ainda não confirmou quantas pessoas foram efetivamente afetadas. Alguém que reclama a autoria da intrusão alega ter levado informação de cerca de dois milhões de clientes.
A Origin diz que a informação financeira exposta está incompleta e não permite, por si só, fazer transações. É verdade, e não chega para dormir descansado. Com um nome, uma morada, uma data de nascimento e um pedaço de número de conta, monta-se uma mensagem de phishing bastante convincente ou finge-se ser um funcionário da empresa ao telefone.
O que é que a empresa está a fazer?
Está a trabalhar com especialistas de cibersegurança e com as autoridades australianas, incluindo o centro nacional de cibersegurança, a polícia federal e os reguladores de privacidade. Os clientes cuja informação for confirmada como afetada devem receber notificação direta.
Porque é que isto importa fora da Austrália?
Porque as empresas de energia guardam registos detalhados de praticamente todas as casas de um país e operam infraestrutura essencial. Mesmo quando os sistemas operacionais não são afetados e a luz não falha a ninguém, o roubo de registos de clientes cria risco de fraude que dura anos e corrói a confiança do público.
A lição repete-se em todos os casos destes: guardar menos dados pessoais e isolar as bases de dados de clientes do resto dos sistemas empresariais. É o mesmo debate que está a levar governos a legislar sobre poderes de emergência para tecnologia crítica. Quem quiser as recomendações oficiais encontra-as no centro australiano de cibersegurança.
Por Marta Carneiro
Imagem: Bidgee / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.5 au)