O fogo na Gironde já obrigou a retirar 220 mil pessoas e agora avança para Bordéus
O incêndio que começou perto de Saumos já consumiu cerca de 42 mil hectares, forçou retiradas em massa no sudoeste de França e aproxima-se da área metropolitana de Bordéus. Há cerca de três mil portugueses a viver na zona afetada.
Cerca de 220 mil pessoas já saíram de casa no sudoeste de França por causa do incêndio da Gironde, e o fogo continua a caminhar na direção errada: a área metropolitana de Bordéus.
O incêndio começou a 22 de julho nas imediações de Saumos e encontrou exatamente o combustível que não devia — o pinhal contínuo das Landes, seco depois de semanas de calor. Em poucos dias passou de fogo local a emergência regional, com cerca de 42 mil hectares ardidos e uma frente que muda de direção com o vento. A península de Cap-Ferret teve de ser esvaziada por estrada e por barco, o que dá a medida do problema: já não há uma linha de fuga óbvia.
Bordéus está em risco?
A cidade em si não está a arder, mas está no caminho. O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, disse que as autoridades vão fazer tudo para proteger Bordéus, uma frase que se diz quando a hipótese deixou de ser teórica. Milhares de pessoas retiradas estão alojadas em soluções improvisadas — pavilhões desportivos, centros de exposições — espalhadas pelo sudoeste.
Há portugueses na zona afetada?
Sim, e são muitos. Estima-se que cerca de três mil portugueses vivam na área abrangida pelas retiradas, uma comunidade antiga na região de Bordéus, onde a emigração portuguesa se fixou há décadas na construção, na restauração e na vinha. Para muitas famílias isto não é uma notícia internacional: é um telefonema a perguntar se a casa ainda lá está.
Portugal, por seu lado, já tinha enviado dois aviões anfíbios para ajudar no combate aos fogos franceses no início desta vaga, num mecanismo de proteção civil europeu que este verão tem funcionado nos dois sentidos. E o mesmo padrão meteorológico que alimenta a Gironde é o que mantém quase todo o continente português sob aviso amarelo esta terça-feira — a Península Ibérica e o sudoeste francês estão a viver o mesmo verão.
Quem tem família na zona pode confirmar a situação e os contactos de emergência junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que mantém a informação consular atualizada para franceses e portugueses residentes.
O pior desta história é o calendário: agosto ainda nem começou.
Por Marta Carneiro
Imagem: Original: Unknown Vector: SKopp / Wikimedia Commons (domínio público)